Logo após a definição dos prefeitos eleitos em segundo turno, no começo da semana, diversos analistas começaram a traçar prognósticos para as eleições presidenciais de 2018, já colocando alguns nomes em evidência para disputar e até ganhar o pleito. Porém, nesta altura do campeonato, é difícil traçar qualquer possibilidade, principalmente por causa das investigações da Operação Lava Jato que continuam implicando políticos de todos os partidos. Hoje ninguém está à salvo, em razão do conteúdo explosivo que se espera da delação premiada do empreiteiro Marcelo Odebrecht. Para quem tem acompanhado as informações do ex-presidente daquela que foi a maior empreiteira do País é possível de que pelo menos uma centena de parlamentares — além de alguns ministros — sejam implicados no recebimento de propina através do desvio de dinheiro da Petrobras. Diante de tudo isso, nada do que se disser agora poderá valer daqui a dois anos.
Porém, o resultado da votação de domingo passado deixam claras algumas certezas. A principal delas é o fortalecimento do governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) e o ocaso do senador mineiro Aécio Neves dentro do ninho dos tucanos. Alckmin saiu do pleito bastante fortalecido: conseguiu ampliar o número de prefeitos do partido no Estado de São Paulo, além de ver aumentada a base de seu principal aliado, o PSB — que já começa a cerrar fileiras em torno de seu nome. Já Aécio, não conseguiu eleger o prefeito de Belo Horizonte, capital do seu Estado, sendo derrotado por um nome de partido pequeno sem qualquer tradição na política. Depois do grande desempenho diante de Dilma Rousseff, Aécio mostrou-se um tanto fragilizado: tanto lá quanto agora o senador tucano demonstrou não ter condições de conseguir controlar a sua base no próprio Estado, creditando-se o grande número de votos que conseguiu na campanha presidencial a seus aliados — como o próprio Alckmin, em São Paulo, Estado onde Dilma sofreu uma derrota fragorosa.
Diante dos desdobramentos das diversas operações contra a corrupção, pode ser que surjam novos nomes, totalmente descolados dos nomes que hoje surgem como suspeitos de ajudarem na sangria dos cofres públicos. Não há quem hoje possa se dizer livre da Justiça, Apenas a conclusão dos processos abertos nas diversas instâncias da Justiça Federal é que poderá aclarar o panorama. Só uma coisa está certa: as eleições proporcionais de 2018 poderão apresentar novos personagens políticos capazes de protagonizar nossa história, enterrando de vez os atos ilícitos, ilegais e imorais que tomam conta de nossos homens públicos atualmente.
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