O médico Marco Aurélio Ubiali, que disputou as eleições para prefeito em Franca, faz parte da relação dos 443 ex-deputados federais denunciado pelo Ministério Público Federal por envolvimento no escândalo conhecido como a “farra das passagens aéreas”. Eles são acusados de se apropriarem indevidamente de recursos públicos para fins particulares. O crime atribuído a eles é de peculato, cuja pena varia de dois a 12 anos de prisão em caso de condenação. A denúncia ainda não foi analisada pela Justiça. Ubiali nega ter cometido irregularidade.
A farra das passagens veio à tona em 2009, quando o site Congresso em Foco revelou que centenas de deputados e senadores viajavam pelo Brasil e pelo exterior com dinheiro público, muitas vezes para passear, ou cediam suas cotas de bilhetes aéreos para terceiros, como parentes, amigos e cabos eleitorais. Com a repercussão negativa do episódio, a Câmara reviu as regras para tornar mais explícita a determinação de que a verba só poderia ser usada para exercício da atividade parlamentar.
Ubiali era deputado e teve o nome incluído na lista dos parlamentares que pagaram passagens internacionais com dinheiro da Câmara Federal. Seis pessoas - entre familiares e assessores - teriam sido transportadas em 11 vôos para os Estados Unidos, Itália e Alemanha. Ubiali teria viajado de avião com a mulher, Eugênia Amorim, e a filha, Júlia, para os Estados Unidos com passagens que datam de outubro de 2007.
O destino foi a cidade de Miami, na Flórida, e a volta teria partido de Nova York. O filho do deputado, Guilherme, teria feito o mesmo trajeto, mas no mês seguinte. Também apareceram na conta de Ubiali duas viagens de sua então assessora, Cláudia Cursino, para Milão, na Itália, em janeiro e julho de 2008. Uma sexta passagem foi relacionada na cota do ex-deputado. O tíquete, de novembro de 2007, estaria em nome de Muriel Pinheiro e o destino foi Frankfurt, na Alemanha, mas a assessoria de Ubiali alegou, na época, não saber de quem se tratava.
As acusações contra os ex-parlamentares estão distribuídas em 52 denúncias. Caberá ao relator, o desembargador Olindo Menezes, receber ou rejeitar o pedido do MP. Caso a denúncia seja aceita, os ex-deputados viram réus, passam a responder a ações penais e terão a oportunidade de se defender das acusações.
Ubiali disse ao Comércio que não cometeu nenhuma irregularidade e que ficou chateado com a denúncia. “Acho que está havendo uma caça às bruxas. Não fizemos nada de ilícito. Na época, os deputados tinham uma espécie de ‘vale transporte’ que podia ser usado para fins oficiais ou não. Era a regra que vigorava, tanto é, que praticamente todos os deputados faziam uso. A Câmara autorizava. Depois é que mudaram os critérios”.
Ubiali disse que ele não fez a devolução dos valores questionados pelo MPF. “Se não era ilegal, não tinha porque devolver. Não sei se a denúncia será aceita. Caso seja chamado, farei os esclarecimentos necessários”, disse ele.
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