O grupo “PGM - Profiles de Gente Morta” já possui mais de 26 mil seguidores e se destina a compartilhar entre os integrantes os perfis de pessoas que acabaram de morrer.
Pelas regras do grupo fechado no Facebook, o nome da pessoa falecida é incluído entre caracteres em formato de cruz, seguido da causa da morte. Nos comentários das postagens, os casos são discutidos, muitas vezes de forma intensa, exigindo o monitoramento dos 6 administradores do grupo.
Um caso que tem repercutido até hoje na página é a morte de uma família brasileira na Espanha. Um sobrinho da família é apontado como o suspeito do crime. Nas publicações, os membros do grupo incluem links de notícias ou mesmo informações obtidas ao vasculharem os perfis das vítimas e parentes. O site O Globo destaca que este não é o único grupo do tipo na rede social, mas que o “PGM - Profiles de Gente Morta” é o maior entre todos. Há o “PGM - Profiles de pessoas que cometeram suicídio”, com 1,5 mil membros, e o “PGM-Profiles de Gente Morta, Viçosa-MG”, com 247 participantes, por exemplo.
Para Priscilla Odara, de 30 anos, técnica de enfermagem auxiliar em necropsia e estudante de psicologia, há interesses variados que motivam as pessoas a entrarem nestes grupos. Ela é administradora da “PGM - Profiles de Gente Morta” há 2 anos.
"Entrei no grupo motivada em estudar o perfil na internet de pessoas que cometem suicídio, buscando por sinais no Facebook de que elas iriam fazer isso. Sou voluntária na prevenção do suicídio, então o acesso ao grupo me dá muito conhecimento. Além disso, dentro da página, algumas pessoas falam abertamente em cometer suicídio, então eu me aproximo delas para estender a mão", conta Priscilla.
Carlos Affonso Mello, mestre em Comunicação Social pela PUC-Rio, acredita que a página representa um espaço aberto para debater sobre a morte. "Este é um dos aspectos pedagógicos do grupo: sendo a morte ainda um tabu na sociedade, muitas pessoas encontram ali um espaço para falar sobre isso", diz Mello. "De modo resumido, posso dizer que a 'PGM' une pessoas que se espantam, se sentem tocadas ou angustiadas diante do mistério da morte", acrescenta ele.
Outra administradora do grupo, a fisioterapeuta Eliciane Lang, de 46 anos, diz o que aprendeu com a página. "Aprendi no grupo que a vida é um simples sopro. O ser humano dá muita importância ao que não é importante, deixando de ver que a felicidade está nas coisas mais simples. Já da morte ninguém foge, ela chega... E daqui nada se leva", explica a fisioterapeuta.
Outra administradora do grupo, a fisioterapeuta Eliciane Lang, de 46 anos, diz o que aprendeu com a página. "Aprendi no grupo que a vida é um simples sopro. O ser humano dá muita importância ao que não é importante, deixando de ver que a felicidade está nas coisas mais simples. Já da morte ninguém foge, ela chega... E daqui nada se leva", explica a fisioterapeuta.
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