A vitória de Gilson de Souza (DEM) sobre Sidnei Rocha (PSDB) não foi tão surpreendente como muitos fizeram crer. Ela seguiu a tendência da maioria dos municípios do País, que apostou numa mudança radical de rumos, criando um movimento rumo à direita, principalmente por causa das denúncias diárias que enroscam os partidos de esquerda e de centro-esquerda nos escândalos de corrupção investigados pela Lava Jato e operações derivadas dela. Além disso, os altos índices de rejeição ao nome do tucano junto aos francanos, aliados ao desinteresse de grande parte dos eleitores (cerca de 1/3 deixaram de comparecer à seção eleitoral, votaram em branco ou anularam o voto) também concorreram para o resultado. E ocorreu ainda um movimento de migração de grande parte dos votos de Flávia Lancha (PMDB) e de Marco Aurélio Ubiali (PSB) para Gilson neste segundo turno, depois do anúncio dos apoios de ambos ao então candidato democrata.
Porém, a partir de agora, a dois meses da posse, Gilson de Souza terá outras preocupações além de montar sua equipe de governo. Precisa, acima de tudo, resgatar a confiança do francano na capacidade do Poder Público em fazer valer os seus direitos, algo que foi perdido nos últimos quatro anos, durante a administração de Alexandre Ferreira (PSDB). Deve, da forma como disse em suas primeiras declarações como prefeito eleito — e como vinha apregoando na campanha —, trabalhar pelo povo, ouvindo suas necessidades e buscando satisfazê-las, mesmo que à custa de compromissos políticos assumidos durante a campanha com partidos e aliados. Deve, sim, ouvir os derrotados no primeiro turno que declararam apoio para buscar aprimorar o seu programa de governo, mostrando-se capaz de articular e negociar.
Enfim, o francano que elegeu Gilson de Souza espera que ele dedique seus esforços para melhorar a Saúde e a Educação, como vinha prometendo em toda a sua campanha. Ao anunciar Sebastião Ananias na Secretaria de Finanças, ele já acerta de primeira, pois coloca no setor mais estratégico da Prefeitura Municipal alguém experiente e cuja austeridade pode tornar superavitárias as contas da municipalidade mais uma vez. Só assim Gilson de Souza terá condições de deixar sua marca na Prefeitura, assim como deixou na Assembleia Legislativa de São Paulo. Por isso, devemos dar um voto de confiança a alguém bem intencionado e que pode virar o jogo, recolocando Franca nos eixos, apagando todos os malfeitos dos últimos quatro anos. Que venha janeiro e a posse do novo prefeito, que promete trabalhar por todos e não apenas por aqueles que o apoiaram.
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