Prefeito Gilson de Souza 'previu' vitória há 3 meses


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Gilson de Souza (DEM) em seu primeiro discurso após a vitória como prefeito de Franca
Gilson de Souza (DEM) em seu primeiro discurso após a vitória como prefeito de Franca
Primeiros dias de julho. A campanha ainda não havia começado. Nem mesmo os candidatos haviam sido escolhidos. Fernando Baldochi era o nome do PMDB e, não Flávia Lancha. Ninguém acreditava que Gilmar Dominici fosse disputar as eleições. Foi neste cenário de indefinição política que meu celular tocou no fim da tarde de um dia qualquer. Era Gilson de Souza. “Edson, vamos tomar um café? Preciso de uma opinião sua.” Nos encontramos no edifício Prime. Gilson quis saber o que eu achava de sua eventual candidatura. Eu disse que ele não havia se planejado para enfrentar uma campanha curta e difícil e que não compensaria o risco, pois eram enormes suas chances de assumir uma vaga como deputado. Gilson tomou um gole de café, disse que sua hora havia chegado e que iria ganhar as eleições. “Me empresta a caneta, um pedaço de papel e raciocina comigo.” Gilson começou a fazer uma conta maluca e projetou a votação que ele e os futuros adversários iriam receber. Escreveu que Sidnei teria cerca de 70 mil votos e que ele repetiria o desempenho que sempre teve em Franca, na faixa de 40 mil a 50 mil votos. Em seguida, anotou a votação que imaginava para os demais candidatos. “Vou para o segundo turno com o Sidnei. Daí, todos os candidatos que disputaram o primeiro turno vão ficar comigo. Eles não vão apoiar o Sidnei. Com a soma dos votos, vou passar o Sidnei e ganharei a eleição. Escreve o que estou te falando.” Estimou que receberia cerca de 88 mil votos. Gilson me deu as anotações. “Pode me cobrar depois.” Ontem, me lembrei da conversa e encontrei o papel nas minhas bagunças. Os números e os apoios projetados por Gilson se concretizaram com incrível precisão. Ele recebeu 90.817 votos, contra 70.405 de Sidnei Rocha. Gravei entrevista com Gilson no fim da tarde. Aproveitei e pedi para ele me passar os números da Mega-Sena.
 
Prefeito ou deputado: Aos 60 anos, Gilson de Souza atingiu o ápice da carreira política, calou os adversários e ficou na confortável situação de escolher se vai ser prefeito ou deputado estadual no ano que vem. Ele é o primeiro suplente e duas vagas foram abertas domingo com as vitórias dos deputados Orlando Morando, em São Bernardo do Campo, e de Luiz Fernando, em Jundiaí. Gilson renunciará à vaga de parlamentar. “Vou ser prefeito para cumprir os quatro anos. Este é o meu compromisso com a sociedade.”
 
Adérmis perto de Brasília: Não é fato que as eleições municipais de domingo abriram uma vaga de deputado federal para o vereador Adérmis Marini (PSDB), como circulou nas redes sociais, mas é fato que suas chances de assumir uma cadeira são expressivas. Adérmis era o quarto suplente. Como foram abertas duas vagas, ele pulou para o segundo lugar na fila. Soninha Francine, que está na sua frente, foi eleita vereadora em São Paulo e tem dado indicativos de que vai assumir uma cadeira na Câmara ou alguma secretaria na administração de João Dória. Isso, se confirmado, deixará Adérmis na “bica”. Bastaria apenas mais uma movimentação na Câmara Federal para ele ser convocado e se tornar deputado. “Muitas pessoas do partido estão me ligando e dizendo que são grandes as chances de eu assumir, mas não me empolgo. É preciso que aconteça uma combinação de fatores”, disse Adérmis.
 
Planos frustrados: A vitória de Gilson caiu como uma ducha de água fria na bancada de vereadores que fez parte da coligação de Sidnei Rocha (PSDB). O grupo já se movimentava para as eleições de presidente da Câmara. Estava tudo bem encaminhado para que Adérmis Marini (PSDB) ou Marco Garcia (PPS) fossem o comandante do Legislativo no ano que vem. Faltou combinar com os eleitores. Pouco provável que Gilson aceite deixar a presidência na mão da oposição. O sonho dele é ver o irmão, Nirley de Souza, no cargo.
 
Mais uma derrota: Se não bastasse não eleger nenhum prefeito na região, o PT teve mais um prejuízo nas Eleições 2016. Ontem, o presidente do partido em Franca, Marcial Inácio da Silva, chegou na sede e encontrou a porta arrombada e tudo revirado. 
 
Emendaram o feriadão: Embora a Câmara tenha expediente normal hoje, os vereadores decidiram transferir a sessão, que sempre acontece às terças-feiras, para quinta-feira, dia 3 de novembro. Muito criativa a desculpa apresentada pelos nobres parlamentares para justificar a mudança de data: “Em virtude de demandas internas, com o intuito de otimizar o trabalho do Legislativo”. Me engana que eu gosto.
 
Ele é o cara: Meu amigo de GCN, Rodrigo Henrique de Oliveira foi o “faz tudo” na campanha do sogro Gilson de Souza e teve participação importante na vitória de domingo. Parabéns pela garra e dedicação!
 
Estou de olho. E o MP também: Vereadores que não foram reeleitos se articulam na surdina para aumentar o número de vagas na Câmara.
 
 
Edson Arantes 
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br

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