A capital gaúcha será administrada pelo PSDB pela primeira vez. O candidato tucano Nelson Marchezan Jr. conquistou 60,11% dos votos com 61,80% das urnas apuradas e foi eleito em Porto Alegre, segundo projeção do Datafolha. Seu adversário, o atual vice-prefeito, Sebastião Melo (PMDB) fez 39,89% dos votos. Os votos nulo somam 13,35%%, brancos, 5,61% e abstenções, 25,50%.Marchezan Jr., 44, é deputado federal pelo segundo mandato. O novo prefeito é filho de Nelson Marchezan (1938-20012), que também foi deputado federal e integrante do extinto partido Arena, ligado à ditadura militar. Nelson Marchezan Jr. é pai de Nelson Marchezan Neto, de oito anos, com Nadine Dubal, sua ex-mulher.
À reportagem, Marchezan Jr. disse que "capuz de esquerda e direita não serve mais" e que essa divisão serve como "marketing".
POLÍCIA FEDERAL
Agentes da Polícia Federal estavam nos locais onde os dois candidatos votaram. A ordem para a PF acompanhar os candidatos foi dada pelo juiz Niwton Carpes da Silva para "organizar" a presença da imprensa. O juiz é o mesmo que proibiu a presença da imprensa durante o voto da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno.
Sobre a presença da PF, Marchezan disse à imprensa considerar importante por causa dos "ânimos que foram instigados pelo candidato [Melo]".
A PF] só veio para cá por causa da invenção do "[atentado [ao comitê tucano], disse Melo.
Melo ainda falou que trabalha até o final da votação para conseguir votos de indecisos e daqueles que pretendem anular porque representa o "campo popular" contra a direita "do MBL".
Sobre a disputa entre PSDB e PMDB, Marchezan disse que o debate foi "mais sobre a realidade pura" e menos ideológica.
SEGUNDO TURNO TURBULENTO
A campanha do segundo turno foi turbulenta: os candidatos trocaram farpas em debates, um incêndio criminoso atingiu departamento municipal, um coordenador de campanha peemedebista foi encontrado morto e suposto ataque a tiros ao comitê tucano foi desmentido.
O Departamento de Esgotos Pluviais foi palco de um dos episódios que aumentaram a tensão da campanha. Na madrugada da segunda (17), um incêndio criminoso, segundo a polícia, queimou uma das salas do órgão.
No mesmo dia, integrantes da campanha de Marchezan registraram boletim de ocorrência relatando um ataque ao comitê do candidato, que teria sido alvo de 12 tiros e teve as vidraças quebradas.Dez dias depois, porém, o PSDB relatou que o comitê não foi atacado. O vento forte e a chuva é que teriam rompido os vidros, e não tiros.Também no dia 17, o assessor Plínio Zalewski foi achado morto no banheiro do diretório do PMDB. A polícia apura ameaças virtuais recebidas por ele durante a campanha.
VOTO NULO
Em Porto Alegre, eleitores fizeram vídeo com o jingle "Anula lá", paródia da música "Lula lá", que marcou a campanha presidencial de 1989.O vídeo, que soma 214 mil visualizações desde 12 de outubro, quando foi publicado, mostra a insatisfação com os candidatos.
"É um [jingle] clássico, lendário. Mas levou muita gente a nos chamar de petista, não tem nada a ver. É só uma referência", conta Valmor Pedretti Jr. 37, um dos autores.Para o cientista político Marcos Paulo dos Reis Quadros, do Centro Universitário da Serra Gaúcha (FSG), o voto nulo é reflexo do "desencanto generalizado com a política".
O promotor Rodrigo Zilio, coordenador do Gabinete de Assessoramento Eleitoral do Ministério Público gaúcho, diz que "o efeito [prático] do voto nulo é concordar com a maioria".
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