Já se passaram 365 dias. Agora, dor, sofrimento e saudade são o que restam para três famílias que, há 8.760 horas, receberam uma notícia que mudou e, entrelaçou suas vidas. Neste domingo, a tragédia da avenida Paulo VI, que matou a estudante Mariana Luiza de Sousa, de 19 anos; a balconista Bruna Cintra Justino, 20, e a desempregada Carolina Rodrigues Borges, 20, completa um ano. O motorista do Fiat Linea, apontado como responsável pela Polícia Civil, foi denunciado à Justiça por homicídio doloso.
Para o promotor Odilon Nery Comodaro, não há dúvidas de que o auxiliar-geral Cairo César Cruz, 25, assumiu o risco de matar, já que teria ingerido bebida alcoólica antes de pegar o volante do carro e, a no mínimo 100 km/h, arrebentá-lo em uma árvore da Paulo VI.
Por ter essa percepção, semelhante à do delegado Dalmo Mateus Polo, responsável pelas investigações, em agosto, Comodaro denunciou Cairo por três homicídios dolosos e uma tentativa de homicídio, já que havia uma quarta vítima no carro, que pouco se feriu. “O resultado (o acidente) era perfeitamente previsível, mas o denunciado não deu importância alguma às vidas das vítimas”, afirmou o promotor, em documento.
O juiz José Rodrigues Arimatéa aceitou a denúncia feita pelo representante do Ministério Público e, agora, o caso está na Justiça.
O pai de Bruna, José Carlos Justino, espera que Cairo seja “punido” por causa do acidente e mortes. “Já perdi outra filha, que tinha só 4 anos, em um acidente. E nada aconteceu. Tento manter a fé e me apegar a Deus para superar mais essa perda e acreditar que, nesse caso, ele pagará por matar minha filha e as outras duas meninas”, disse Justino.
Segundo o pedreiro, até onde teve notícias, já que o auxiliar-geral se mudou para Jaú (SP), a rotina do acusado seguiu a mesma após as mortes. “Enquanto a vida de todos nós, pais e amigos das meninas, parou, a dele segue normalmente. Estamos lutando para continuar de pé e para que não existam mais Brunas, Carolinas e Marianas”, afirmou.
Ainda de acordo com o pai da balconista, que busca através da advogada Pamela Stradiotti um desfecho para a fatalidade, não há nada mais além de saudade e indignação. “É muito triste pensar que, em aniversários, não terei mais minha filha ao meu lado. Ela era apaixonada pela vida. Amava o time do Santos, gostava de assistir aos jogos comigo e tinha muitos sonhos. Tudo isso ruiu por irresponsabilidade dele, alguém que sequer nos procurou e que jamais teve coragem de pedir perdão pelo que fez”, relatou, emocionado.
O acidente
Na madrugada do dia 31 de outubro de 2015, após sair de uma padaria próxima à Unifran, Cairo César Cruz perdeu o controle do Fiat Linea que dirigia, invadiu o canteiro central da avenida Paulo VI e bateu em uma árvore.
Com o impacto, as três garotas morreram. O estudante César Eduardo Gonçalves, 17, que também estava no carro, sofreu ferimentos leves. Cairo foi socorrido com lesões graves e ficou internado na Santa Casa por alguns dias.
Um ano depois, está totalmente recuperado e em nova cidade. Segundo consta no processo, o acusado de matar as três jovens mudou-se há dois meses para a cidade de Jaú (SP).
A reportagem tentou entrar em contato com Cairo e seu advogado, Ronaldo Rogério, mas nenhum dos dois foi localizado.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.