76.891 eleitores nem aí...


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Para mim, a eleição de amanhã será decidida pelos 47.906 eleitores que, no primeiro turno, decidiram-se por ficar em casa, viajar, passar longe das urnas; e pelos 29.112 que resolveram votar nulo ou branco; aqueles e esses movidos por sentimentos que, em tempo político, lhes cobram suas consciências, o coração, a alma: cólera, temor, segurança, inveja, imprudência, amor, ódio, vergonha, rivalidade, compaixão, favor, indignação, desprezo.  
 
Números são mágicos. Clareiam de que forma 184.127 eleitores, dos 231.906 aptos a votarem, responderam às campanhas do primeiro turno. Não houve crença absoluta (metade mais um) em ninguém. Agora, segundo turno (última chance para respondermos à crucial indagação ‘como queremos ver Franca nos próximos quatro anos?), cenário novo. As paixões humanas — exatamente as que citei linhas acima — se acirraram. Gilson de Souza e Sidnei Rocha foram às ruas na tentativa de ficar com os votos que não tiveram em 2 de outubro, além, claro, de consolidarem os que receberam.
 
Os derrotados por Sidnei no primeiro turno, rapidamente se aglutinaram. Flávia Lancha e Ubiali viram em Gilson, a chance de ainda levarem seus propósitos à Prefeitura. Tiago e Gilmar, ao que se sabe, se recolheram. Sidnei não buscou apoios. Afirma que não dá carona — entenda-se cargos — a ninguém.
 
Ponho-me a pensar como está a cabeça dos partidários de Flávia e Ubiali, ‘convocados’ a transferirem seus votos a Gilson. Certo é que não pretendiam ver na Prefeitura, nem Sidnei, nem Gilson. Apoiarão seus candidatos iniciais ocupando posições subalternas na Prefeitura, caso Gilson ganhe?
 
Há só  hipóteses sobre o destino dos votos de eleitores cujos candidatos ‘perderam’ a eleição no primeiro turno. Volto, então, ao tema que me moveu a escrever este texto, e falar com quem votou nulo, branco ou não foi votar. 
 
São um terço do universo dos eleitores francanos(!) cidadãos que abriram mão do direito de escolha que lhes cabe, e eu os respeito. Para mim, seria abusar de suas inteligências afirmar que não foram votar em protesto, como se diz por aí. Ou, porque votar é obrigatório, e ninguém pode obrigar ninguém a nada. Se, entretanto, esses motivos são suas razões,  digo-lhes que protestar, para valer, é se posicionar de cara limpa, sair de casa, ir à urna, não anular, não votar em branco, escolher alguém para cobrar duramente depois por mandos e desmandos cometidos no exercício de cargo público!
 
Esses eleitores podem decidir essa eleição! Amanhã é dia de discernimento, responsabilidade, coragem, vergonha na cara de quem não suporta mais ser visto só como ‘massa de manobra’, condição a que sucessivos governos têm nos submetido. O tempo de ficar em casa e ‘ver o circo pegar fogo entre os políticos’, ou ‘são um bando, e não quero saber de bandos’, ou ainda ‘seja lá o que acontecer, não tem nada a ver comigo’, tem que acabar. 
 
Até acho que está todo mundo de saco cheio, que votar não garante que políticos deixem de lado o gosto pela corrupção, e nem que nossos votos acabem, finalmente, com a impunidade; mas, peço-lhes que ampliem o universo de eleitores que escolherá Gilson de Souza ou Sidnei Rocha. Seja pelo ex-prefeito, um executivo turrão; ou pelo deputado bom de urna, temos que nos apoiar na razão e deixar  a emoção de fora, se queremos o bem da cidade.
 
Números não mentem: 76.891 eleitores (20,60% sobre o número de aptos a votar que não foram às urnas; mais 5,42% em votos em branco,  e 10,39% em nulos sobre o número de votos válidos no  primeiro turno) é gente descomprometida demais com o que pode acontecer com Franca a partir de janeiro!
 
 
Luiz Neto
jornalista, com dados do TSE - luizneto@comerciodafranca.com.br
 

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