O que deveria ser uma operação de combate ao tráfico e apreensão de drogas transformou-se no fechamento de uma casa de prostituição e prisão de um comerciante de 44 anos. Na noite de quarta-feira, agentes da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) foram à uma residência do Jardim Ângela Rosa para averiguar uma denúncia de tráfico e saíram do local com uma arma de uso restrito e uma adolescente de apenas 15 anos já envolvida no esquema de prostituição e com uma vasta lista de clientes.
A descoberta do prostíbulo aconteceu por volta de 21 horas. À primeira vista, a casa em uma esquina da rua Fádua Elias não indicava que ali eram realizadas festas e reuniões durante as quais jovens, com idades entre 15 e 18 anos, mantinham relações sexuais com diversas pessoas. Mas, quando se entra no imóvel, a visão muda. Há diversas lingeries penduradas nas janelas, caixas de preservativos, agenda com anotações do movimento e nomes diversos. Os policiais constataram que no local funciona uma casa com grande fluxo de clientes e que há prostituição.
Assim que os investigadores da delegacia especializada entraram e tentaram conversar com as garotas, se depararam com o comerciante Alexandre César de Oliveira, de 44 anos. Dono da casa noturna “Ilha da Fantasia”, localizada nas imediações do Distrito Industrial, ele afirmou ser proprietário também desse espaço no Ângela Rosa. E foi além: disse que as jovens pagavam a quantia de R$ 50 de aluguel dos quartos para atender seus clientes e trabalhar no local.
Enquanto interrogavam o proprietário, os policiais foram até seu veículo, estacionado na garagem, e encontraram uma pistola calibre 635, de uso restrito, com oito munições intactas. Em seu quarto, havia ainda uma munição 357, também restrita. Ele não explicou a razão de ter uma arma nem onde a conseguiu.
Continuando as diligências pelo imóvel, os civis encontraram a adolescente de 15 anos e sua irmã, de 18 anos. Moradora do Jardim Paulista, a menor tentou convencê-los de que tinha 19 anos e mostrou uma carteira de identidade falsificada. O documento indicava 21 anos. Mas, na realidade, através de seu depoimento e das outras jovens, ficou constatado que ela tem apenas 15 anos.
Tanto Oliveira quanto as quatro garotas de programa foram levadas à sede da delegacia. Seus depoimentos se estenderam até a madrugada de quinta-feira e resultaram na prisão do proprietário. Ele foi indiciado por manter um prostíbulo; submeter uma criança ou adolescente à prostituição, com base no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. Pelos crimes contra a dignidade sexual e pelo Estatuto do Desarmamento, não coube fiança e ele foi recolhido ao CDP (Centro de Detenção Provisória) de Franca. A adolescente e as outras envolvidas foram liberadas.
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