Uma das maiores empresas de calçados de Franca publica na edição desta quarta-feira na capa do jornal Comércio da Franca uma nota de esclarecimento e repúdio contra o ex-deputado estadual e agora candidato à Prefeitura Gilson de Souza (DEM).
Na nota, a empresa acusa Gilson de mentir durante seu programa no horário eleitoral veiculado na TV na última segunda-feira. No programa, Gilson faz gravações em frente à porta da fábrica no Distrito Industrial, durante quase dois minutos. No discurso, afirma que a empresa anunciou sua ida para Bahia, em um investimento de mais de R$ 12 milhões e a geração de mais de 1,4 mil empregos naquele Estado, dando a entender que a unidade de Franca seria fechada.
As afirmações do candidato repercutiram. Na sessão da Câmara dessa terça-feira, o vereador Pastor Otávio (PTB) chegou a lamentar a suposta demissão em massa em seu discurso no plenário. “É muito triste ver as indústrias indo embora de Franca. A Ferracini acaba de anunciar a demissão de 1,4 mil funcionários, justo hoje (ontem) dia 25 de outubro, Dia do Sapateiro.”
O presidente do Sindicato dos Sapateiros, Sebastião Ronaldo, ao tomar conhecimento das afirmações do ex-deputado e do vereador, se assustou. “Não estou sabendo de nada. Aqui no Sindicato não registramos nenhuma demissão da Ferracini, mas vou ligar na empresa para averiguar”, afirmou na hora do almoço. À tarde, ligou de volta à Redação do Comércio. “A empresa garante que não tem demissão nenhuma. É muita irresponsabilidade, não se pode vir a público fazer esse tipo de afirmação, provocando pânico nos trabalhadores, sem ter certeza da verdade”, afirmou o sindicalista.
No meio da tarde, a Calçados Ferracini se pronunciou por meio de uma nota de esclarecimento e repúdio. “A Calçados Ferracini vem por meio desta nota esclarecer a população de Franca e seus colaboradores que em momento algum autorizou o candidato à Prefeitura de Franca, Gilson de Souza (25) a fazer filmagens e comentários na porta de seu parque fabril.”
A empresa desmentiu a informação de que estaria se mudando para a Bahia e demitiria cerca de 1,4 mil funcionários. “Durante o horário eleitoral, o candidato Gilson de Souza fez alusões INVERÍDICAS (grifo original) sobre a situação da empresa no tocante à suposta mudança de domicílio que geraria a demissão de 1,4 mil funcionários. O fato é que a empresa não possui tal quantidade de empregados e muito menos tem a intenção de deixar seu domicílio.”
A empresa encerra o comunicado dizendo que “tais afirmações ferem o princípio da ética que deve nortear as campanhas políticas” e repudia a atitude de Gilson de Souza.
O Comércio procurou o candidato e sua assessoria durante a tarde de ontem para que comentassem a nota divulgada pela Ferracini, mas Gilson de Souza não atendeu as ligações feitas ao seu celular. Sua assessoria tomou ciência do caso, mas não se manifestou até o fechamento desta edição.
Protocolo de intenções
O boato surgiu depois que o governo da Bahia anunciou a assinatura de um protocolo de intenção, firmado no final de setembro entre o governador do Estado, Rui Costa, o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Jorge Hereda, e representantes da empresa, que prevê a abertura de uma filial - e não a transferência - da fábrica de calçados francana na cidade de Amargosa (BA). Segundo a página do Governo da Bahia, o acordo prevê um investimento na ordem de R$ 12 milhões e a geração de 300 vagas de trabalho.
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