Gilson de Souza (DEM), aparentemente, está perdendo uma nova (e grande) chance de se eleger prefeito de Franca. Há 20 anos, líder nas pesquisas, quando aqui ainda não existia segundo turno, resolveu de última hora participar de um debate contra os demais candidatos da EPTV poucos dias antes do pleito. Despreparado e demonstrando desconhecer totalmente a realidade do município, acabou perdendo para o petista Gilmar Dominici. No embate transmitido ao vivo, Gilson foi fustigado o tempo todo não apenas pelo vencedor, mas também pelos outros dois candidatos, Joaquim Ribeiro (PSDB) e Airton Sandoval (PMDB), considerados duas raposas políticas em razão da experiência de anos ocupando cargos eletivos.
Agora, o democrata resolveu não dar a cara a tapa e perdeu uma grande oportunidade de polarizar com Sidnei Rocha (PSDB) e conseguir arrebanhar os votos dos indecisos e dos que se abstiveram no primeiro turno. Sidnei Rocha deixou claro que não participou dos debates do primeiro turno por não concordar com as regras. Agora, Gilson praticamente foge do confronto: não participou dos debates da EPTV e da TV Clube (este último, no domingo, sem qualquer aviso; ele tinha garantido a presença) e da sabatina agendada com o Grupo GCN na semana passada, alegando problemas nas cordas vocais que não o impediram de fazer campanha no mesmo dia, além de gravar seu programa de televisão.
Agindo desta forma, Gilson de Souza praticamente joga a vitória no colo de Sidnei Rocha, ainda mais depois das indiscrições de seu vice, professor Frank Pereira, que teve alguns áudios vazados na Internet traçando comentários nada airosos a respeito de campanha eleitoral e até do companheiro de chapa. Mesmo diante do barulho, Gilson preferiu se calar e deixar por isso mesmo, expondo a falta de traquejo político que se espera de um candidato a cargo majoritário. Enquanto isso, Sidnei Rocha aproveita para dominar sozinho nos espaços deixados por Gilson.
Numa campanha onde cada segundo de exposição conta, em razão da redução do tempo da propaganda gratuita no rádio e na TV, além de outras restrições impostas pela Justiça Eleitoral, Gilson de Souza adota uma estratégia equivocada. Ao contrário do que vem fazendo, deveria se aproveitar dos espaços que lhe são colocados à disposição. Assim, joga fora uma grande possibilidade de se colocar como uma segunda via plausível, mesmo contando com o apoio dos candidatos derrotados no primeiro turno e até de ex-aliados de Sidnei Rocha. Há quem enxergue na situação o fato do próprio candidato não acreditar numa possível vitória, jogando todas as suas fichas na possibilidade de assumir o mandato de deputado estadual.
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