Preço da gasolina é decepcionante, diz Petrobras


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O presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou nesta segunda-feira (24) que foi decepcionante que a redução do preço da gasolina nas refinarias, anunciada pela estatal há duas semanas, não tenha chegado ao consumidor.

Segundo o executivo, características de mercado do segmento foram determinantes para que a redução dos preços nas refinarias da empresa estatal não chegasse aos postos de combustível.
No último dia 14, a Petrobras divulgou redução de 2,7% nos preços cobrados pelas refinarias para o diesel e de 3,2% para a gasolina.

De acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), porém, os preços no varejo subiram 0,5%, em média, na semana passada.

Parente ressaltou que o mercado de distribuição de combustíveis no varejo funciona com preços livres e que a Petrobras não tem ingerência sobre quanto os donos de postos cobram pelo produto. "De certa forma, é decepcionante. Era uma expectativa justa que tivesse acontecido [a redução], mas não há nada que possamos fazer a respeito. O preços são livres", afirmou Parente, em entrevista na feira Rio Oil&Gas.

Questionado sobre o tema, o diretor de refino e gás da Petrobras, Jorge Celestino, afirmou que a alta do preço do etanol anidro -que é misturado à gasolina- provocou o aumento nas bombas.
A redução feita pela Petrobras vale apenas para o preço dos produtos na saída das refinarias. Foi a primeira vez que a empresa reduziu seus preços desde 2009. A alta do etanol é normal neste período do ano, como reflexo do período de entressafra na produção de cana-de-açúcar.

VENDA DE ATIVOS
A Petrobras informou que estuda criar empresas subsidiárias com refinarias e ativos de logística para vender participações a novos sócios. O objetivo é tornar suas refinarias mais atraentes para os investidores, permitindo que os compradores tenham maior flexibilidade com relação à suas operações, sem depender da empresa estatal.

Ativos de logística são terminais de importação e exportação no litoral e dutos que os conectam às refinarias. Por exemplo, as refinarias de São Paulo são abastecidas pelo terminal de São Sebastião, no litoral norte, por onde a Petrobras descarrega o petróleo e carrega os derivados para exportação.

"É um modelo que dá ao investidor gestão sobre as suas margens", explicou Celestino. Ele argumenta que a proposta evita repetir o modelo usado anteriormente na Refinaria Alberto Pasqualini, no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Na ocasião, a espanhola Repsol/YPF comprou 30% da empresa, mas não tinha instalações para trazer o próprio petróleo ao mercado interno.

Dez anos após a aquisição da refinaria, o negócio foi desfeito por causa dos recorrentes prejuízos com a venda de combustível por valor abaixo dos preços internacionais.

A busca por sócios em refinarias é uma novidade do plano de negócios da Petrobras divulgado em setembro, que prevê a arrecadação de US$ 19,5 bilhões com a venda de ativos entre 2017 e 2018. O plano anterior falava em US$ 15,1 bilhão entre 2015 e 2016 e não incluía ativos de refino.

Até agora, a empresa vendeu quase US$ 10 bilhões, em ativos como gasodutos, participações em distribuidoras de gás, operações na Argentina e no Chile e o campo de Carcará, no pré-sal. O objetivo é reduzir o elevado endividamento da estatal e assim recuperar a confiança dos investidores ma saúde financeira da estatal, abalada pelas investigações da Operação Lava Jato e por anos de controle dos preços dos combustíveis.

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