“Não há um dia que eu olhe para essa sala sem me emocionar e lembrar da minha irmã entrando por aquela porta com um sorriso nos lábios, uma simplicidade fora do comum e as mãos cheias de sacolas de compras que fazia no Centro para todos da família. Às vezes, fixo o olhar ali e parece que, a qualquer momento, ela vai chegar. Mas não vai”. Foi dessa forma, com emoção no tom de voz, lágrimas nos olhos e as mãos trêmulas, apontando para a porta de casa, que a cuidadora de idosos Maria de Jesus Andrade definiu como tem sido seus dias desde a morte de sua irmã, a aposentada Idelma Maria, de 70 anos, em agosto deste ano.
A idosa foi encontrada por uma sobrinha e pela Polícia Militar no quarto da casa onde morava sozinha, em Patrocínio Paulista, no dia 6 de agosto. Estava deitada em sua cama, com arranhões e hematomas pelo corpo. “Estranhamos que ela não dava notícias há dois dias. Foi um choque quando minha irmã precisou ser transferida para o Hospital do Coração, em Franca, pela gravidade de seu estado”, disse Maria. O caso foi registrado pela PM como mal súbito e, segundo a irmã da vítima, iniciou-se um boato de que Idelma teria sido estuprada e agredida.
Sete dias depois, a aposentada não resistiu aos graves ferimentos e morreu. E foi assim que a saga de sua família em busca de explicações para sua morte teve início. Laudos de peritos do IC (Instituto de Criminalística) constataram que ela não foi abusada como se especulava e que “foi vítima de agressão e que um agente contundente ocasionou sua morte”. “Além de tudo isso, avisei a polícia dias depois que a bolsa que minha irmã sempre carregava seu dinheiro e outros pertences, a tiracolo, havia sumido. Ela tinha recebido os quase R$ 840 de aposentadoria poucos dias antes de ser encontrada e só achamos R$ 200 desse dinheiro. Mas, até agora, ninguém fez nada”, relatou Maria.
Ainda emocionada, a cuidadora não hesitou em dizer que alguém agrediu e roubou Idelma, que não era casada nem tinha filhos. “Minha irmã não tinha problemas. Era uma pessoa com um coração enorme. Gostava de jogar vôlei adaptado, sair com as amigas, tomar sua cervejinha e aproveitar a vida. Era boa com todos. Algum covarde fez isso para levar seu dinheiro e precisa pagar pelo crime para que não existam outras ‘Idelmas’.”
Na polícia
O delegado Marcelo Rodrigues, responsável pelo expediente de Patrocínio Paulista, disse que pediu mais prazo no fórum para prosseguir com as investigações e apurar se Idelma foi agredida ou se realmente foi um mal súbito. “Na ocasião, ninguém falou sobre possível roubo e que levaram algum objeto. Não havia sequer sinais de arrombamento e briga. A porta estava trancada e tudo intacto. Ainda sabemos pouca coisa a respeito desse caso e estamos fazendo um relatório que traz a retrospectiva de tudo que ela fez antes de ser encontrada. Apreendemos seu celular e sua morte está sob investigação. É cedo para afirmar qualquer coisa”, afirmou.
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