Morreu às 20h30 do dia 20, quinta-feira, na Santa Casa de Misericórdia de Franca, a senhora Carlinda Imaculada da Silva. Venceu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) há cinco, anos, e continuou desfrutando de boa saúde, sempre lúcida. ’O único impedimento, a dificuldade de locomoção. Pensamos que ela fosse eterna. Faria, em janeiro de 2017, 96 anos. Preparávamos uma grande festa para reunir nossa família, quase 150 pessoas, para homenageá-la. Não nos falava confiança que ela chegaria lá, mas Deus decidiu diferente’, disse a filha Cleusa.
Carlinda esteve viúva por 26 anos, depois de 51 anos de feliz casamento com José Aristides da Cunha. Ambos eram mineiros de São João Del Rey. Trabalhavam como lavradores. Os primeiros quatro filhos (Ednã, casado com Neuza; Maria, casada com Celso Galetti; Evaristo, casado com Aparecida; Aparecida, a Cidinha, casada com Lázaro Vitalino), dos nove que teriam, nasceram lá. Em busca de oportunidades de melhoria de vida, mudaram-se para Guardinha (MG), onde nasceram mais dois filhos, Zulmira, e Célia, que se casou com João Garcia. Mais alguns anos, outra mudança de ares, desta feita para Patrocínio Paulista (SP), onde foram empregados pelo casal José Goulart de Andrade e Nair, na Fazenda N.S. Aparecida, segundo contou a filha Zulmira. ’Meus pais mereceram a confiança de seus empregadores, e lá toda a nossa família foi muito tratada. Nasceram na propriedade, meus três outros irmãos, Cleusa, casada com Luciano Lima; Wagner, casado com Cidinha; e Rosângela. O casal, inclusive, foi padrinho de batismo de Wagner’, disse Zulmira.
Início dos anos 70, a última mudança. ’À medida em que fomos formando nossas próprias famílias, passamos a nos compor para dar a nossos pais, mais tranquilidade. Fomos residir em Franca. Papai sofreria um AVC e deixaria de trabalhar, aposentado-se. Mamãe também se aposentou. Finalmente puderam se dedicar um ao outro. Tiveram tempo de rara felicidade juntos e curtiram muito a chegada dos netos, até que ele morreu’, disse Wagner.
’Mamãe, depressa, nos fez entender que poderíamos contar com ela em tudo, dali em diante. Foi presente constante em nossas vidas, auxiliando-nos nos bons e não tão bons momentos. Os netos e parte dos bisnetos puderam apreciar as habilidades delas na produção de doces, bolos, quitandas e tantas delícias mas, sobretudo, a pessoa maravilhosa que ela foi. De verdade, não havia tristeza onde ela estava’, disse o filho.
A família cresceu. Foram 29 netos (Carlos, Leandro, Alexandre, Márcio, Neoraci, Adriana, Cristina, Sandra, Jaqueline, Celso Filho, Edson, Éder, Edna, Eliane, Ana Lúcia, Edson Vitalino, Luís Carlos, Carlos, Fernanda, Eduardo, Renata, Rubens, Rita, Roberta, Caroline, Vitória, Patrícia, Igor, Gustavo), 54 bisnetos e 10 tataranetos. ’Seriamos, em janeiro próximo, quase 150 pessoas juntas para agradecer o que mamãe fez por nós, mas o tempo de Deus é diferente do nosso’, concluiu Wagner.
’Foi uma mulher honesta, trabalhadora, dura mas carinhosa com a gente, quando foi preciso. Ela e papai nos ensinaram o valor do trabalho, a respeitar o que é do outro, a praticar honestidade em todos os momentos de nossa vida, e isso constitui nossa herança. Perdemos, deles, só a presença física’, completaram Zulmira, Wagner e Cleusa. Aproveitaram também para agradecer, em nome da família, o cuidador Samuel Ferreira, que por cinco anos cuidou de Carlinda. ’É um anjo que Deus colocou no caminho de mamãe. Tornou-se um de nós. Mamãe o queria como a um filho, e nós, como a um irmão. Nem se vivêssemos mais 100 anos haveria como pagar-lhe a dedicação e o carinho que teve por ela’.
Velório aconteceu no São Vicente de Paulo. Sepultamento, com serviços da Funerária Nova Franca, foi realizado às 16 horas do dia 21, no Cemitério Parque Jardim das Oliveiras.
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