O título da divisão Intermediária em 1977, ainda vive na memória do torcedor esmeraldino. Lá se vão quase 40 anos, da principal conquista da história do clube da rua Simão Caleiro. No ano seguinte, a Veterana figurou na elite do futebol paulista ao lado de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos. É com base em um enredo vencedor, que a Francana espera resgatar as glórias vividas no passado para recomeçar um novo capítulo em 2017.
Depois de pedir licença e afastar o time das competições profissionais para reestruturar a imagem do clube, o presidente esmeraldino Anderson Pereira Silva aponta que a agremiação passa por um momento promissor. O trabalho destinado ao longo do ano teve como foco o retorno da Francana aos gramados.
Apesar de toda expectativa, o mandatário do clube prefere não cravar definitivamente a participação do time na quarta divisão do Paulista. “A Francana está se preparando para voltar. Definitivamente temos a resposta para dar em fevereiro à Federação Paulista de Futebol. A resposta positiva virá do casamento do futebol e das finanças. Estamos trabalhando para isso”, afirmou.
Nesse período fora das quatro linhas, a diretoria buscou solucionar questões burocráticas para poder voltar aos gramados. Uma das medidas foi aderir ao Programa de Modernização do Futebol Brasileiro (Profut), que integra a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte e auxilia, por meio do REFIS especial, na renegociação das dívidas dos clubes de futebol, federações e confederações. O montante atual das dívidas do clube é de aproximadamente R$ 14 milhões. No Profut, o clube parcela dívidas fiscais com a União. A Francana terá que quitar o equivalente a R$ 900 mil, em até 240 parcelas.
Com o apoio da classe empresarial, Anderson aposta no sucesso do projeto denominado Clube dos 100 para reativar o time. O programa lançado pela direção esmeraldina tem o objetivo de reunir cem empresas, entidades ou mesmo pessoas dispostas a patrocinar o clube e dar continuidade ao trabalho desenvolvido com as categorias de base, reestruturação do Nhô Chico e na formação do time no próximo ano. A meta é reunir cem investidores que paguem R$ 500 por mês durante dois anos. Em troca, os investidores terão visibilidade com placas no campo, no site da agremiação (www.aafrancana.com.br) e em outras mídias sociais do clube.
A Francana completou recentemente 104 anos de fundação (12 de outubro de 1902). Anderson Silva tem na ponta da língua o presente que quer destinar aos torcedores em alusão à data comemorativa. “Gostaria de ter o clube em campo. Estou trabalhando muito para colocar o time de volta aos gramados no próximo ano. Acredito que esse seria o melhor presente para torcida apaixonada da Francana”, destacou.
Depois de ficar de fora da atual temporada, a Francana volta aos gramados profissionais em 2017?
A Francana está se preparando para voltar. Definitivamente temos a resposta para dar em fevereiro à Federação Paulista. Estamos começando a trabalhar com o futebol, e encaminhando a parte financeira, com projetos que desenvolvemos como o Clube dos 100 e outros planos que ainda vamos lançar futuramente. A resposta positiva virá do casamento dessas duas vertentes (futebol e finanças). Estamos trabalhando para isso.
Por toda tradição e história no cenário paulista e nacional, a Francana entra em campo com a responsabilidade de brigar pelo acesso?
Vamos entrar para competir para valer e não apenas por mera participação. Por isso, estamos trabalhando com certa antecedência para colocarmos pessoas competentes dentro de campo. Não posso cravar se vai subir de divisão, mas posso te garantir que vamos preparar uma equipe competitiva para vestir a camisa do clube.
O campeonato terá início apenas em abril, mas como será esse time? Niquinha e Marcos Aurélio serão os responsáveis por comandar a equipe em campo?
Hoje eles estão confirmados nesta preparação do clube para o elenco. Torço para que, até lá, Niquinha e o Marcos Aurélio fiquem como técnico e auxiliar. Em relação ao time, estamos em um processo de formação. Nesse primeiro momento, o clube desenvolve avaliação com atletas da cidade e região, na busca de encontrarmos jogadores. Posteriormente, vamos abrir para atletas de fora. Queremos ter, até o final de dezembro e início de janeiro, boa parte selecionada para compor o nosso time.
Sem presidente, você colocou seu nome à disposição da presidência do clube e está há quase um ano no comando da Francana. Qual foi o maior desafio enfrentado neste período?
O principal desafio foi lidar com a falta de credibilidade das pessoas com o clube. Quando decidi assumir a presidência, muitos falaram que eu era louco, que assumi um abacaxi. Por mais que você está com vontade e força de fazer acontecer, você ouvir isso acaba minando. Cheguei a pensar: “Será que não vou vencer esse abacaxi?”. Passado certo tempo, hoje estou vendo que o abacaxi está bem mais doce. As partes de gestão burocrática e empecilho jurídico não são tão complicadas assim. Claro que não vamos resolver em um ou dois anos, mas ao longo da história do clube. Mas estamos empenhados e trabalhando muito para manter viva a história desta agremiação.
Mesmo sem futebol, a diretoria lançou o Clube dos 100, projeto elaborado juntamente com empresas da cidade para levantar fundo financeiro para arcar com despesas pontuais. O êxito deste projeto é crucial para o retorno da Francana em campo?
Não só fundamental para o retorno do clube, mas para mostrarmos para as empresas parceiras como um time de futebol pode dar retorno não só para as empresas, mas para a cidade no geral. Um clube de futebol tem uma força de aglutinar as pessoas do município novamente, e tem outros retornos que vão além de mídia, retorno social, empresarial, da economia da cidade. Atualmente contamos com 25 parceiros, mas esperamos obter mais adeptos para alavancar o projeto e conduzir o futebol profissional na cidade.
Rebaixado à quarta divisão do Campeonato Paulista, uma de suas primeiras medidas no comando da agremiação foi pedir afastamento das competições profissionais de 2016, para reorganizar a parte administrativa do clube. Como foi lidar com as críticas após tal decisão?
No primeiro momento foi chocante, mas era o que tinha que ser feito. Aliás, essa decisão deveria ser feita em outras gestões. O processo do futebol é amplo e não para, e não se restringe apenas em colocar um time em campo. Naquela ocasião, que time colocaria para jogar, com o campeonato batendo na porta (três meses para o início)? Como iríamos solucionar a questão das finanças e arcar com tudo isso? Hoje temos um conhecimento maior do clube, de todo o processo administrativo e de campo. Mas a maioria das pessoas apoiou essa decisão.
A Francana carrega uma dívida astronômica oriundas de ações trabalhistas, FGTS, INSS e IPTU. Qual o atual valor? E como estão sendo equacionados esses dividendos?
O último levantamento que fizemos e está no balanço oficial no site da Federação está em torno de R$ 14 milhões. É um valor que teremos que trabalhar muito, para que ela possa diminuir na mesma proporção. Tínhamos uma dívida de R$ 90 mil com a Sabesp, e conseguimos através de acordo reduzi-la e pagar, por exemplo, 10% (R$ 9 mil). Outros casos nosso departamento jurídico conseguiu perdão de dívidas antigas. Temos que enfrentar de frente e negociar. Temos que ser pró-ativos nessa relação das dívidas e não ficarmos passivos à espera de uma nova ação.
Mesmo diante desse ‘turbilhão’ de contas a pagar, como dá para gerenciar o futebol e manter em atividade?
Se não é a maior, a Francana está entre as cinco maiores marcas de Franca. Todo mundo conhece, quando você tem uma marca forte como essa e faz um trabalho correto, é natural que essa coisa vai dar certo. É lógico que esse processo de desgaste que o clube passou nos últimos anos demora. Você vai vencendo aos poucos, apresentando uma nova gestão. Temos que pensar no clube de médio a longo prazo. Se as pessoas quiserem cobrar retorno no próximo ano, essas pessoas estão enganadas. Estamos fazendo uma gestão para o clube durar mais 100 anos. Posso garantir que vou entregar o clube para um próximo presidente melhor do que peguei. Acho que a marca é muito forte, e a partir dos resultados as pessoas vão apoiar ainda mais o clube.
A Francana completou 104 anos no último dia 12 de outubro. Qual presente que o presidente Anderson gostaria de entregar à agremiação?
Gostaria de ter o clube em campo. A cidade pede futebol, pois é um entretenimento que a sociedade gosta. Estou trabalhando muito para colocar o time de volta aos gramados no próximo ano. Acredito que esse seria o melhor presente para essa torcida apaixonada, que, infelizmente, não pude dar esse ano.
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