Parece que a crise política, econômica e moral que atingiu o nosso país já serviu para motivar alguma mente mais saudável a propor lei que determine que as nomeações para cargos no governo se deem por critérios técnicos, não políticos, levando-se em conta, especialmente, a competência e o mérito do indicado. É a meritocracia já tão utilizada em países mais desenvolvidos e de aplicação corriqueira entre os espíritas de ambos os lados da vida.
O Espiritismo não tem chefe. Tem órgãos colegiados que, sem ostentar hierarquia sobre os demais, incumbem-se de estabelecer diretrizes que podem ser moralmente seguidas. O que prevalece é a autoridade moral que advém do mérito, que, por sua vez, constitui-se da prática dos princípios cristãos. Não é o presidente do centro, o médium, o orador, o dirigente, o coordenador, que tem maior autoridade no âmbito do respectivo movimento. O saber e a sabedoria, devidamente embalados pela moralidade, são, convenientemente, respeitados, inobstante o respeito que também se confere àqueles que, sem letra, são, contudo, detentores de grande sabedoria e moral. Pode dar-se que a autoridade se exerça moralmente, sem que o exercente ocupe qualquer cargo.
E convém lembrarmos que na obra do espírito André Luiz, pela psicografia do médium Francisco Cândido Xavier, na chamada série ‘Nosso Lar’, há relatos, segundo os quais, no mundo espiritual, os dirigentes não são escolhidos para os diversos postos de comando por pertencerem a esse ou aquele partido, a essa ou aquela religião, por serem amigos ou parentes. A indicação tem base nos préstimos, na doação à causa do bem, no esforço em melhorar-se. Em última análise, no mérito adquirido que, ali, tem compensação nos bônus-hora, isto é, num referencial moral que reconhece o mérito.
Tais bônus têm tanto mais valor, quanto mais valoroso for o trabalho desenvolvido. Seria o mais almejado critério a aplicar-se numa nação suficientemente civilizada.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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