Pacientes reclamam de calvário por cirurgias eletivas


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A aposentada Antônia Maria Fernandes, de 80 anos, aguarda há mais de um ano por uma cirurgia de hérnia na rede pública
A aposentada Antônia Maria Fernandes, de 80 anos, aguarda há mais de um ano por uma cirurgia de hérnia na rede pública
Com 57 anos, o pespontador Régio Soares Pimenta não consegue trabalhar há quase um ano. Com diabetes e pressão alta, ele precisa urgentemente de uma cirurgia de catarata, mas não tem ideia de quando o procedimento será realizado. Enquanto aguarda uma resposta da rede pública, sofre com dores intensas e por não poder trabalhar. Sem condições de bancar a operação, ele espera por uma vaga. “Meu pai começou a realizar os exames nesta semana, mas não existe prazo para a cirurgia. Ele não consegue trabalhar por causa da catarata e sente bastante dor. Agora faz um ano que está esperando, mas não existe qualquer previsão para a cirurgia acontecer”, disse o filho Fábio Soares, que acompanha o pai nas consultas e no drama vivido diariamente. 
 
Régio é um das mais de 10 mil pessoas que foram incluídas na fila de espera por uma cirurgia eletiva em Franca, somente nesse ano. Enquanto a Secretária de Saúde do Estado e de Franca não encontram uma solução para agilizar as cirurgias eletivas na cidade, a fila de espera para os procedimentos não para de crescer. Segundo o secretário de Saúde, José Conrado Netto, a fila cresce diariamente e registra cerca de 1.100 novos pacientes a cada mês.
 
Sem previsão de atendimento, a espera pode levar anos e os pacientes, na maioria das vezes com fortes dores, precisam aprender a conviver com a situação. Varizes, catarata, hérnia, vesícula, retirada das amídalas e também procedimentos ortopédicos estão os mais comuns e também, segundo os próprios pacientes, os mais demorados.
 
Na fila da cirurgia está também a doméstica aposentada Antônia Maria Fernandes, de 80 anos, que espera há mais de um ano para retirar uma hérnia na barriga. Por causa do problema, ela sente fortes dores e dificuldades para dormir e, apesar de ter feito uma bateria de exames para que a cirurgia fosse feita, não tem previsão de quando o procedimento será realizado. “Sinto muita dor e me avisaram que a cirurgia deve sair, mas não fazem ideia de quando. É difícil me mexer, a hérnia incomoda bastante e sempre está batendo em alguma coisa, e a dor piora. Só queria um alívio. Sou sozinha, com idade avançada e preciso fazer tudo, só que com essas dores é impossível. É muito sofrimento”, disse ela. 
 
Situação parecida é vivida pelo garoto William Salomão Filho. Com apenas 9 anos, ele espera há mais de dois para retirar uma hérnia da virilha. “Não temos dinheiro para pagar pela cirurgia e meu neto sofre com dores constantes. Muitas vezes precisamos buscar ele na escola por isso, e não temos resposta de quando o procedimento deve acontecer”, disse a avó do garoto, Maria Peres.
 
Acompanhando o sofrimento da mãe, que tem 90 anos e espera há mais de dois por uma cirurgia de catarata, a dona de casa Luzia Tristão não sabe mais o que fazer. “É muito triste acompanhar toda essa dificuldade enfrentada pela minha mãe. Ela já não enxerga de um dos olhos e com o peso da idade isso é ainda pior. Estamos apenas buscando os nossos direitos, mas ninguém nos oferece informações concretas de quando a cirurgia acontecerá, não sei mais quanto tempo ela pode esperar”, disse. 
 
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Apesar de o problema ser antigo e as reclamações sobre o assunto recorrentes, em nota, o DRS (Departamento Regional de Saúde) de Franca informou que apenas disponibiliza as cotas para cirurgias e que a quantidade de vagas é definida através de reuniões entre Estado e municípios. Além disso, destaca que o problema acontece principalmente pela defasagem da tabela de pagamentos do SUS.
 
A Secretaria Municipal de Saúde informou que vem realizando mutirões de cirurgias eletivas, como por exemplo, o de cateterismo, colonoscopia, retirada de placas e pinos, além do recurso contratualizado através do Estado com a Santa Casa de Franca. “Os mutirões têm sido de suma importância para o município, tendo em vista que a demanda crescente por cirurgias eletivas é muito maior que a capacidade resolutiva da rede pública”, completou o secretário José Conrado Netto.
 
 
 

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