Paixões eleitorais


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A internet pulsa, sofre de taquicardia neste tempo político. Quem acompanha postagens relacionadas às campanhas de Gilson de Souza e Sidnei Rocha à Prefeitura, sabe do que falo. Apoiadores que antes das redes sociais falavam somente a seus grupos pessoais, de amizade ou de ascendência, hoje se esbaldam mais de 24 horas por dia — e já explico porque ‘mais’— disseminando o que pensam, contratados  ou não, a líderes e liderados capazes de likes e compartilhamentos que podem definir a eleição.
 
Hoje, e é bom que saibamos, computadores monitoram, coletam e analisam mídias sociais 24 horas por dia. Assim, empresas, instituições e pessoas físicas têm ciência sobre o que se diz delas, contra ou a favor, em qualquer ponto do globo. Base na análise estratégica destes dados, possibilitam posicionamentos imediatos, carregados de verdade, ou de ‘verdades nem tão’.
 
Fantástico, não é? Porém — e Aristóteles já dizia na Grécia antiga —, a comunicação humana e sua interpretação são pura paixão. Há quem diga algo com interesse específico, claro e objetivo, sem restar dúvida; e há quem se pronuncie, ou escreva, ou publique vídeo com dubiedade, para dificultar entendimento e fabricar cenários propícios  às suas pretensões. 
 
Quem ouve, lê, ou assiste, compreende com base em suas próprias paixões. Então, se não busca informações adequadas, arrisca-se a multiplicar inverdades. O jogo político, em conclusão rasteira, enxerga isso, e usa. Quem experimenta o poder e se lambuza, traça projetos de poder continuado e vale para os três poderes. Lula, Eduardo Campos e Nicolau dos Santos Neto não me deixam mentir, mas os exemplos são incontáveis. Donos do  cofre e armados de tecnologia, é quase impossível vencê-los. 
 
Embora as paixões humanas tenham sido objeto da análise aristotélica — e o advogado e pesquisador Acir Matos Gomes me ensina que elas são catorze (cólera, calma, temor, segurança (confiança, audácia), inveja, imprudência, amor, ódio, vergonha, emulação, compaixão, favor (obsequiosidade), indignação, desprezo) — e estejam à disposição da compreensão de todos, alegamos desconhecimento, mas damos razão ao filósofo, na prática.  
 
Dedico-me à linguagem gestual. Observo as expressões do rosto das pessoas quando falam; como é que portam em público, como gesticulam, como se comportam na verdade e na mentira. Não raro sei analisá-las em aparições públicas,ou em vídeo.  Adaptei algumas das técnicas à leitura e compreensão de entrelinhas de mensagens. É, sim, possível reconhecer, e  com boa chance de êxito, a paixão que move  quem escreve.  
 
Desde agosto, tenho acompanho textos ‘pró’ e ‘contra’ os candidatos a prefeito de Franca; nos últimos dias, especialmente Gilson e Sidnei, que se baterão no próximo dia 30. Explico agora a questão das ‘mais de 24 horas’. Há comentaristas armados de tecnologia capaz de multiplicar uma única postagem na internet, em várias. Percebe-se pelos horários dos posts, nomes de remetentes e/ou números de IPs dos computadores de origem. 
 
Endeusam seu apoiado e divergem do  ‘inimigo’, foco absurdo nas paixões, não na razão.  São ‘robôs’? São ‘robôs’, alguns, fieis escudeiros; outros, contratados para fecharem os olhos à ética. 
 
Hitler, por seu Ministério da Propaganda, replicava mentiras  até que soassem como verdades. Aproveitava o entorpecimento do povo germânico com o mito da raça superior e pelo orgulho nacional-socialista, e o submetia. Sabemos no que deu. 
 
Chamo a atenção dos eleitores. Não sou Sidnei ou Gilson; Gilson ou Sidnei. Sou Franca, que precisa ser gerenciada com competência, por competentes. Conhecemos os candidatos pessoalmente. Acompanhamos suas atividades políticas. Sabemos do são capazes, e sabemos também do que não são. Sem paixões,  dominados pela razão é que devemos ir às urnas no dia 30, escolher que cidade queremos ter nos próximos quatro anos. 
 
 
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
 
 

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