Construção de viaduto, hospital e creches, contratação de médicos, redução do preço da passagem do ônibus, valorização de servidores. O que não falta na campanha eleitoral é promessa. A propaganda política no rádio, televisão e redes sociais esconde uma realidade cruel. Não importa se seja Gilson de Souza (DEM) ou Sidnei Rocha (PSDB). Quem assumir o comando da Prefeitura no dia 1º de janeiro de 2017, vai se deparar com o desafio imposto pela atual situação econômica do País: cortar gastos e se virar para fazer mais com menos. Os recursos, que já eram insuficientes para atender às demandas do município, estão cada vez mais escassos. As previsões para o ano que vem não são animadoras.
A Prefeitura estimou uma receita própria para este ano de R$ 700,6 milhões. Até o último dia 19, os cofres públicos tinham arrecadado apenas R$ 475,7 milhões, o que corresponde a 67,90%. Na melhor das hipóteses, o valor arrecadado até o fim do ano chegará a R$ 560 milhões, 20% menos do que havia sido projetado.
O futuro prefeito de Franca vai se deparar com um cenário parecido no ano que vem. A previsão de arrecadação para 2017 é, praticamente, a mesma que havia sido estimada para este ano, R$ 702,7 milhões.
Professor da PUC e da USP, o cientista político Antônio Carlos Mazzeo esteve em Franca ontem, quando proferiu palestra sobre a crise brasileira, impasses e perspectivas. Ele disse ao Comércio que a retração econômica não vai mudar tão cedo. “Quem diz que o Brasil vai melhorar em um ano, dois anos, não está falando a verdade. Não vejo uma saída à curto prazo. Temos uma crise econômica mundial. Não é uma coisa centrada no Brasil”.
Mazzeo avalia que o futuro prefeito de Franca terá um pepino pela frente. “Se o prefeito for sério, vai ter que enfrentar este pepino tentando preservar as conquistas que a cidade tem. É preciso investir com cautela e criatividade. Uma boa saída é incentivar a agricultura familiar e as micro-empresas e tentar ajudar as empresas mais estruturadas para movimentar a economia. Não pode ficar dependendo da estagnação nacional”.
O candidato do PSDB, Sidnei Rocha, disse que a queda na arrecadação é preocupante e que o futuro administrador da cidade terá um grande desafio pela frente. “Vai ser um desafio tão grande quanto aquele que enfrentei quando assumi depois do PT. Para enfrentar esta situação, a pessoa precisa ter experiência gerencial e conhecimento para que a cidade e a Prefeitura não entrem em colapso. De imediato, se eleito, será necessário tomar medidas de contenção, de enxugamento da máquina, e economizar ao máximo”.
Gilson de Souza (DEM) disse que será preciso fazer um diagnóstico da situação financeira da Prefeitura. “Temos uma equipe técnica muito preparada para assumir, junto comigo, a cidade. Prefeito sozinho não faz nada. Tudo é um estudo para que a gente possa viabilizar as dificuldades de um município. A partir do momento que tem a queda na arrecadação, temos que avançar em outras alternativas. Para isto, temos uma equipe técnica para começar a estudar e avaliar”, afirmou.
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