O estranho em mim


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Hoje, 22 de outubro, a partir das 14.30 horas no Centro Médico de Franca, com comentários de Denise Lopes Rosado Antônio
Hoje, 22 de outubro, a partir das 14.30 horas no Centro Médico de Franca, com comentários de Denise Lopes Rosado Antônio
Adélia Prado, nossa poetisa mineira de Divinópolis, em seu poema “Dona doida”, diz :” ...Minha mãe, como quem sabe que vai escrever um poema// decidiu inspirada: chuchu novinho, angu, molho de ovos// Fui buscar e estou voltando agora, trinta anos depois. Não encontrei minha mãe//A mulher que me abriu a porta, riu de dona tão velha// com sombrinha infantil e coxas à mostra. Meu filhos me repudiaram envergonhados// meu marido ficou triste até a morte,// eu fiquei doida no encalço.....”.
 
No filme “O estranho em mim”, Rebecca (Susanne Wolff) e Julian (Johann Von Bulow) esperam o filho que já está a caminho do nascimento. Parecem um casal feliz, onde o bebê parece já ter um lugar em suas mentes e em suas vidas. Logo após o parto, o bebê é colocado sobre o ventre da mãe e aquele encontro que é esperado, sonhado, às vezes por muitos, tido como instintivo não acontece. Rebecca dá a seu filho um olhar angustiado e vazio, e nenhum toque. Ela não reconhece seu filho. Ele se torna um estranho para ela.
 
Cada vez mais, a relação entre Rebecca e seu filho se torna difícil. Cuidados comuns diários tornam - se para ela um grande sofrimento. Ela apresenta o que os psiquiatras chamam de depressão pós-parto, é muito mal compreendida, não contando com olhar acolhedor de ninguém.
 
No nosso cotidiano, presenciamos acontecimentos que nos assustam, em que não há lógica, nem explicação convincente... De onde vêm tantos eventos inexplicáveis, que rompem bruscamente com aquilo que é esperado, contado na literatura, em filme, nos jornais?
 
O que será, como canta Chico Buarque em Flor da Pele, que dá dentro da gente e que não devia....que é feito estar doente de uma folia...nem todos os unguentos vão aliviar....
 
Nosso psiquismo busca dar sentido às nossas experiências emocionais, o que nos torna mais capacitados de viver a vida e suas vicissitudes. Aproveito de Adélia Prado em Dona Doida , Chico Buarque em Flor da pele, e a experiência emocional de Rebecca, em O estranho em mim, para falar da angústia de quando somos jogados em situações emocionais em que a mente não dá conta de pensar (sentir) o que está sendo vivido. Ficamos em uma espécie de limbo, onde fica confuso saber se estamos vivos ou mortos, como magistralmente nos mostra Rebecca, se desligando de tudo e todos, até caminhar para uma floresta para tentar morrer de fato!
 
Como seres humanos que possuímos mente, precisamos (re)conhecer, nominar, viver, “sonhar” aquilo que nos invade, quer vindo de fora ou de dentro de nós mesmos, acolher o inóspito, o imprevisível, o enlouquecido, também o amoroso, o transformador.....
 
Venha conosco passar uma tarde que poderá ser muito enriquecedora para todos nós. Hoje, 22 de outubro, a partir das 14.30 horas no Centro Médico de Franca, com comentários cheio de calor humano de Denise Lopes Rosado Antônio, médica psicanalista da SBPRP.

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