Um convite tão bom!


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Estava a vagar pelo facebook... uma imagem aqui...uma confissão ali... um pedido de reza...vídeo de dança...uma canção antiga...política local... nacional...fotos de perfil, de capa, de viagens, quando, de repente, me deparei com um post de 3 a 4 linhas (sem foto, nem imagem). 

Uma escritora (li dois livros dela, tempos atrás), que diz coisas simples, em jeito estiloso. O convite, simples também, com justificativa. Ela dizia que os posts do facebook não eram exatamente para a gente se comunicar...e que era melhor escrever cartas.  Tinha gente discordando, e gente concordando, eu resolvi dar meu recado a ela.
 
Gosto demais de escrever (e receber) cartas. Uma amiga, aqui de Franca, correspondeu comigo durante algum tempo. Escrevemos uma à outra – do próprio punho, como se dizia antigamente. De vez em quando releio (estão em uma linda caixa).  De repente, a vida de cada uma nos parou: passamos para os faxes,  depois e-mails e...
 
Então, corri a dizer para a escritora simpática que eu gostaria de me corresponder, sim!!!, com ela. Precisava do seu endereço in box. Prontamente ela me enviou. Agora estou nos ensaios emocionais e mentais do que quero escrever a ela. 
 
Estou a lhe escrever, nesse ensaio mental, um montão de coisas. Pensei em reler os seus livros: escritor adora um feedback, mas não. Muito formal. Também não carece contar da minha rotineira vida. Talvez descrever Franca...uma rua, uma esquina, alguém que cruzo todos os dias. Um perfume como o que senti hoje, ao sair tarde da noite do consultório – delicioso. O córrego que atravessa minha aldeia  – o Córrego dos Bagres. A romã do meu jardim; mandar pés-de-moleque da Binuto junto com a carta; falar do menino gordinho que vende canudinhos de doce-de-leite à porta do Banco Credimed, que garante que o doce não engorda; do lugar em que compro as estantes dos meus livros...  
 
Coisa demorada escrever cartas, coisa de fabricação própria, artesanal.  Minha letra tão pouco usada atualmente – só assino cheques, e que mais? Tudo digitalizado!  Escrevo um diário, manuscrito, poucas frases, apenas anotações. A maioria do que escrevo eu teclo e salvo em pen drives...
Enfim, estou animada. Se tiver alguém interessado em corresponder comigo, peça meu endereço ao jornal, através de Sônia Machiavelli, editora do Nossas Letras virtual,  que responderei, minhas “mal traçadas linhas”.  
 
Quando criança, lançava garrafas ao mar... nunca recebi resposta... Enrolava, com jeito, um papel bonito com mensagens curtinhas, e anotava cuidadosamente o meu endereço e telefone. Nadica de resposta...
 
Ao escrever cartas para ela, lanço garrafas ao mar....mas, vou com fé, carinho e cuidado, um tanto criança (mas ela também tem um ar de menina sapeca).  E vou ficar esperando, todos os dias, uma carta ... 
 
Os dias ficarão bem mais interessantes, tenho certeza. Com ou sem resposta. 

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