Em 1985, a new wave chiclete do quinteto franco-paulistano Metrô se misturava ao otimismo da nação em um momento de abertura política no Brasil. Agora, na ressaca do impeachment, Alec Haiat (guitarra), Xavier Leblanc (baixo), Dany Roland (bateria), Yann Laouenan (teclado) e Virginie Boutaud (vocais) se reúnem pela primeira vez em três décadas.
A Vida É Bela (Lalaiá), primeiro single da retomada, chegou às plataformas de streaming semana passada.
Com arranjos de Virginie e letra de Rubem Jacobina, as canções tentam resgatar o otimismo de outrora com versos sobre o prazer da vida.
“O Metrô está ligado a boas memórias na história do país. Nossa vontade é retomar essa alegria”, diz Virginie, filha de franceses que hoje mora nos arredores de Toulouse .
“Mas é impossível não ficar sensível a esta cena política e, da nossa maneira, a gente vai colocar este clima nas novas músicas”, afirma o guitarrista Alec Haiat.
O engajamento é uma novidade para o grupo, reprovado por parte da crítica dos anos 1980 por trocar a verve contestadora de seus contemporâneos (como Titãs ou Paralamas do Sucesso) por versos ingênuos, recebidos com certo constrangimento.
O maior exemplo estava na abertura de seu primeiro hit, Beat Acelerado (1984): “Minha mãe me falou/ Que eu preciso casar/ Pois eu já fiquei mocinha”.
Haiat refuta o rótulo de alienado. “A nossa transgressão não veio do óbvio, dessa coisa de se voltar contra o sistema, mas de juntar uma música tão brasileira quanto a bossa nova e incorporar à new wave”, defende o músico. “’Beat Acelerado’ foi feita inicialmente como uma bossa nova, em cima de João Gilberto e Tom Jobim”, revela.
Nômade
A retomada conta com a bênção de Paulo Junqueiro, técnico de som da turnê do LP de estreia, Olhar (1985), e atual presidente da Sony Music Brasil - uma versão comemorativa desse álbum foi lançada em agosto. E foi da memorabilia de Junqueiro que saíram as fitas cassetes com registros daqueles shows para as faixas-bônus.
Com 30 anos nas costas, o Metrô agora trilha novamente o caminho das pedras: agora, a luta é para ser ouvido na cacofonia das plataformas digitais.
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