Ecos das urnas


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O alto índice de abstenção e de votos nulos e brancos nas recentes eleições municipais, aumentou consideravelmente o número de adeptos do voto facultativo em nosso país. 
 
Tradicionalmente, as eleições municipais, por vários fatores, sempre despertaram o interesse do eleitor. Sim. 
 
Na verdade, moramos nos municípios, e as nossas maiores carências acabam sendo solucionadas — ou não — pelas prefeituras, pois são elas o ente público mais próximo do cidadão comum, e portanto, mais cobradas pela população.
 
Também sabe-se que os candidatos municipais são geralmente pessoas da nossa convivência, e assim o pleito acaba por despertar maior interesse do eleitor. Entretanto, o altíssimo índice de abstenção e de votos nulos e brancos neste ano (a abstenção chegou a algo próximo de 26% no Rio de Janeiro, o que significa que, em cada quatro eleitores, um não compareceu para votar), ocorreu praticamente em todo o país. Foi, sem dúvida, um ponto fora da curva.
 
Especialistas em política, impressionados com esse desinteresse do eleitor, chegam a classificar o episódio como de uma verdadeira ‘desobediência cidadã’, ou seja, uma clara e inequívoca sinalização do eleitor de que não concorda mais com o voto obrigatório.
 
No entender de muitos, voto impositivo acaba por constituir numa medida antidemocrática, e a lógica é formal: voto tem que ser visto como direito do cidadão, não um dever. 
 
Penso que esses dados também refletem o desencanto do eleitor com a classe política, decorrente dos sucessivos escândalos de corrupção diagnosticados nos âmbitos federal, estadual e municipal, além de alcançar praticamente todos os partidos políticos, fatos que acabam por gerar um desinteresse do eleitor pelo voto.
 
Cabe à classe política captar os ecos das urnas e envidar esforços para alterar o texto legal, modificando o ato de votar para ‘direito do eleitor’, não obrigação. 
 
 
Setímio Salermo Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca.

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