Ao determinar a prisão do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que renunciou à presidência da Câmara e teve o mandato cassado. o juiz Sérgio Moro pode ter atirado que viu e acertado o que não viu. Logo após a prisão do ex-parlamentar, a sessão na Câmara foi suspensa e um grande número de peemedebistas e aliados ficou totalmente perdido, diante do estrago que Cunha pode causar se resolver abrir a boca. O ex-deputado é réu em três processos na Justiça Federal. A prisão preventiva decretada por Sergio Moro e executada ontem foi referente ao processo no qual ele responde por crimes como corrupção passiva e lavagem de dinheiro durante a compra de um bloco de petróleo no Benin pela Petrobras.
No pedido de prisão, os procuradores da força-tarefa da Lava Jato sustentaram que a liberdade do ex-parlamentar representava risco à instrução do processo, à ordem pública, como também a possibilidade concreta de fuga em virtude da disponibilidade de recursos ocultos no exterior, além da dupla nacionalidade (Cunha é italiano e brasileiro). A denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) sustenta que o ex-deputado recebeu mais de R$ 5 milhões em propina por viabilizar a aquisição de um campo de petróleo em Benin, na África, pela Petrobras. Cunha foi responsável por aceitar o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, aprovado há pouco mais de um mês pelo Congresso.
Para os colegas de partido e aliados, caso Eduardo Cunha conte o que sabe — embora sua defesa tenha descartado a princípio uma possível delação premiada — sobre corrupção e esquemas de desvio de dinheiro dos cofres públicos, o estrago deverá ser grande, principalmente quando se sabe que há nomes “graúdos” ainda não atingidos pelas investigações de Curitiba ou que dependem de uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) para que o processo contra eles ande, como é o caso do presidente do Senado, Renan Calheiros, cuja estreita ligação com empreiteiras implicadas na Lava Jato é conhecida há vários anos.
O que se comenta em Brasília é que Cunha encontra-se bastante aborrecido com os seus antigos pares e, mesmo sem delação premiada, pode colocar muitos políticos com mandato na berlinda. Caso isso realmente ocorra, as investigações podem conseguir um novo fôlego e trazer à luz fatos ainda desconhecidos pelos envolvidos na investigação, entre eles os investigadores da Polícia Federal, membros do Ministério Público e o juiz Sérgio Moro, que comanda todo o processo. Novos desdobramentos podem ocorrer nos próximos dias, envolvendo inclusive figuras graúdas do PSDB, como o senador Aécio Neves.
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