Prender ou não prender


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O boato de que o ex-presidente Lula seria preso nesta segunda-feira mobilizou quem ainda o apoia, mas não aconteceu nada. Atitudes assim constituem mobilização irresponsável de militantes e a exposição deles próprios e da comunidade a riscos desnecessários. A origem da falsa notícia deveria ser apurada, e responsabilizado o seu autor, ou autores, por falsa notícia e incitação contra a ordem pública.
 
A questão de Lula e de todos os que têm nomes envolvidos em denúncias de irregularidades é judicial. Todos — favoráveis ou contrários à prisão — devem aguardar as investigações, torcer para que sejam isentas e, base nas conclusões, a Justiça se pronuncie. Não há porque condenar ou absolver previamente, ou forçar algo através de atos públicos. O que tem de prevalecer é a coleta de provas e o exercício da ampla defesa dos acusados. 
 
Perde tempo quem repete acusações e pede a prisão de Lula, Dilma e de outros. Da mesma forma, nada significa defesa pelas redes sociais. Quem tem acusação concreta a fazer, que encaminhe à polícia e ao MP, e quem tiver elementos de defesa, que canalize aos órgãos competentes. Fora disso, nada tem validade. Entretanto, leva a incidentes e perturba a ordem social. O Brasil vive crise econômica e dela precisa sair, mas só conseguirá dentro de sociedade pacificada e em condições de trabalhar e produzir. Ativismo exacerbado e desobediência civil só atrasam soluções.
 
O cidadão comum nada pode fazer para melhorar ou piorar a situação de políticos, empresários e outros envolvidos nos processos de apuração de desmandos e corrupção. Tudo isso está em apuração e haverá conclusão no devido tempo. Mobilizar as ruas a favor ou contra decisões judiciais resultantes dessas apurações, e do devido processo legal, é irresponsabilidade. 
 
Há muito mais a fazer do que ‘condenar’ ou ‘absolver’ Lula. Isso é atribuição do Judiciário, e não depende do povo. O povo só pode interferir quando é chamado a votar, nas eleições...
 
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo 

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