Falta de respeito com os eleitores


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Há alguns anos defendemos aqui, neste mesmo espaço, que o eleitor passe a ter maior responsabilidade na hora de depositar seu voto e escolher o representante nos Poderes Executivo e Legislativo. Orientamos para que o francano busque reunir o maior número de informações possível, inclusive participando ativamente dos encontros com os candidatos para conhecer suas propostas e motivações, uma vez que só a campanha gratuita no rádio e na TV não é capaz de esclarecer aqueles que ainda têm dúvidas sobre o seu voto. As sabatinas e os debates, como os realizados pelo GCN (e também pelas emissoras regionais de televisão, como EPTV, TV Clube e TV Record), permitem uma maior aproximação entre candidatos e eleitores. Porém, pelo que se tem visto desde o primeiro turno, o francano que ainda não definiu quem vai escolher como prefeito, tem sido prejudicado na busca de informações.
 
No primeiro turno, Sidnei Rocha (PSDB) não compareceu aos debates, o que deve ocorrer agora com Gilson de Souza (DEM), como ele já vem deixando claro. Ambos disputam o segundo turno do pleito em Franca. Este último, aliás, deixou de comparecer à sabatina agendada pelo GCN, que seria transmitida ontem pela rádio Difusora e em tempo real pela Internet. Na última hora alegou que estava tendo problemas com suas cordas vocais e não poderia comparecer. Quem tem acompanhado a campanha deste segundo turno já percebeu que uma das estratégias de Gilson de Souza é evitar o confronto com seu adversário ou perguntas embaraçosas de jornalistas, principalmente depois que vazaram áudios com indiscrições de seu vice, professor Frank, as quais movimentaram a campanha e não receberam qualquer explicação do candidato democrata.
 
Há 20 anos, por causa de uma participação desastrada no debate da EPTV transmitido ao vivo, Gilson de Souza perdeu a eleição a dois dias do pleito. Agora, esperando conseguir tirar a grande diferença de votos conseguida por Sidnei Rocha, o democrata tenta se preservar, mas pode estar dando um tiro no próprio pé. Acontece que a transferência de votos — ele recebeu apoio do Doutor Ubiali, do PSB, e de Flávia Lancha, do PMDB —, mesmo que total, não será capaz de lhe dar a vitória. Ele depende ainda dos votos dos indecisos (muitos dos que anularam o voto, votaram em branco ou não compareceram) para conseguir a vitória. Ao deixar de comparecer aos debates e sabatinas, frustra os que ainda dependem de maiores informações para se decidir. E, é bom dizer, no Brasil o apoio de um ex-adversário no primeiro turno não é garantia de votos no segundo. Gilson não pode se esquecer disso.
 
 
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