Paixão na política


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Semana passada, a política local ganhou novos ares na ocasião em que vazaram áudios de um candidato a vice-prefeito; e também, postagens do atual prefeito. Como cada um de nós reagir perante esses fatos? Aristóteles explica. Disse ele que há o ethos do orador, o pathos do auditório e o logos, o próprio discurso. 
 
Alvos de discursos orais ou escritos, imediatamente alimentamos sentimentos apaixonados de cólera, calma, temor, segurança (confiança, audácia), inveja, imprudência, amor, ódio, vergonha, emulação, compaixão, favor (obsequiosidade), indignação, desprezo. 
 
Discursos nos causcam mudanças e nos fazem diferir nossos julgamentos. Não são considerados ‘virtudes’ ou ‘vícios’ permanentes, mas estão relacionados com situações transitórias provocadas pelo orador. 
 
É indispensável, então, considerar hábitos ou tendências do orador para com cada uma das paixões, e os motivos que as despertam. Em síntese, temos que, para cada discurso há finalidade, um contexto e um determinado auditório. 
 
A frase ‘pegar na mão do povo eu não gosto disso não’, sob o ponto de vista da velha política, pode revelar paixão do desprezo. Para a política nova, que busca efetividade, mudanças e distanciamento de velhas práticas— falsos tapinhas nas costas e falsos apertos de mãos —, a frase soa verdadeira, despertando confiança e audácia. É indispensável olhar o caráter do orador e a qual auditório foi direcionada a fala. De minha parte, prefiro que ‘não peguem na minha mão’ se o ato não for verdadeiro, se for só manifestação falsa, de proximidade que não existe. 
 
Prefiro que os eleitos, sejam quais forem, resgate valores e virtudes que nossa cidade tem perdido.Prefiro que amem e se compadeçam dos francanos, mas que também tenham segurança e prudência no trato com a coisa pública. 
 
Não precisamos de emulação, mas de agendas políticas que enobreçam os cidadãos locais.
 
 
Acir Matos Gomes
Advogado, professor universitário na Universidade de Franca

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