Há pelo menos 40 anos, a Petrobras (ainda hoje a maior estatal brasileira, com atuação em diversos pontos do planeta) é conhecida como um antro de corrupção, utilizada para ‘fazer dinheiro’ não apenas para partidos e agentes políticos, mas também para seus funcionários. O esquema que funcionou ali por décadas — e que vem sendo investigado pela Operação Lava Jato há dois anos, levada à cabo pelas Polícia e Justiça Federal — já foi conhecido por “dezinho” (10% do dinheiro pago às empreiteiras que prestavam serviço à empresa ia para a corrução).
O ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ainda quando era um dos homens fortes do governo de Dilma Rousseff, responsabilizou o próprio brasileiro por esta situação. Ele disse que a classe política é um “reflexo da sociedade” que, ao não distinguir o público e o privado escolhe sem esse critério seus representantes “e depois os reprime sem olhar para si”. Neste ponto, ele tem toda a razão. O brasileiro ainda não tem consciência da importância de seu voto. Prefere eleger corruptos, figuras folclóricas e até mesmo condenadas pela Justiça. Estes últimos só não conseguem tomar posse por causa da Lei da Ficha Limpa que tem embasado as decisões do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
O eleitor brasileiro não busca avaliar o peso de sua escolha e nem as propostas dos candidatos. Prefere se abster, anular ou votar em branco a colaborar com as mudanças que ele próprio exige. Além disso, vivemos cotidianamente com a corrupção e não nos incomodamos. Oferecer ‘uma cervejinha’ para que um agente público faça vistas grossas a alguma infração tornou-se comum. Vemos, em nossa maioria, como normal tentar subornar um guarda de trânsito, uma autoridade policial ou um fiscal da Receita. O brasileiro se acostumou ao jeitinho, à ‘manha’, ao ‘cala-boca’. Corromper (e ser corrompido) tornou-se cultural, mesmo, uma situação triste para este nosso País.
A indignação com os casos de corrupção que estão surgindo diariamente nas notícias da mídia — jornais, revistas, rádio e televisão, além da Internet — deveria ser dirigida também à base da sociedade, aos atos considerados de ‘pequeno poder ofensivo’. Não basta clamar por justiça e pela condenação dos responsáveis pela situação da Petrobras e de outros órgãos do governo. É preciso que nos insurjamos contra a corrupção do dia a dia. Se o problema não for combatido na base, dificilmente seremos capazes de acabar com este câncer que corrói os cofres públicos brasileiros e deixou todo um município importante, como Ribeirão Preto, praticamente quebrado. Será que conseguiremos?
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