A letra infantil impressa a lápis em uma folha de fichário não revela de cara a força de um texto redigido por uma criança de 10 anos, que iniciou uma luta para evitar o fechamento da Escola Estadual “Professora Nadeide de Lourde Oliveira Scarabucci”, localizada na Vila São Sebastião. O medo da menina Gabriela Campos Moraes é que a queda brusca no número de estudantes matriculados na escola se acentue ainda mais e a unidade perca sua relevância, chegando a fechar suas portas. O Estado descarta esta possibilidade (leia texto nesta página).
“Quando entrei na escola, em 2013, éramos cerca de 800 alunos e agora somos menos de 210”, afirmou na carta que enviou à Redação do Comércio da Franca. “Percebemos que as turmas foram diminuindo. Perguntamos para as professoras, mas a gente não sabe de nada. Eu fiquei triste. Muitas amigas minhas foram embora e minha vontade é que meu irmãozinho estude aqui também”, disse.
Gabriela tem espalhado a história da “Nadeide” pela cidade, a fim de sensibilizar as pessoas à causa. Desde o início do ano, enviou cartas a diversos veículos de comunicação e entrou em contato, inclusive, com o secretário da Educação do Estado de São Paulo, José Renato Nalini, pedindo para que a escola seja reformulada e passe a atender em período integral.
“Queria que a escola fosse período integral... Nosso bairro é muito perigoso. Meu amigo estava brincando na rua e foi atropelado. Fora as drogas. Na escola, o ambiente é melhor”, disse sem conter as lágrimas. “Se eu pudesse, pediria para que não desistissem da gente.”
De acordo com a mãe de Gabriela, Estela Moraes, o secretário respondeu à carta enviada por sua filha, embora o conteúdo não tenha sido o que a menina esperava.
“Ele foi atencioso, mas disse que, por enquanto, em razão da crise, não poderá tornar a escola período integral. Disse também que visitaria a escola para saber o que pode ser feito”, afirmou. “Ele ainda não veio e a Gabriela mandou uma segunda carta, cobrando a promessa feita.”
Mobilização de pais
O medo de que a escola feche não atinge apenas Gabriela. Desde o ano passado, a Associação de Pais e Mestres do bairro tem desenvolvido algumas ações para chamar a atenção da comunidade vizinha e tentar se prevenir de uma ameaça que eles encaram como realidade: o fechamento da escola.
“Fizemos, no ano passado, um abaixo-assinado com mais de mil assinaturas, pedindo para que a escola permaneça aberta, e agora temos um novo com mais de 8 mil”, afirmou Estela. “Também distribuímos material chamando as pessoas para a escola, porque ela precisa de demanda. Como você mantém uma escola grande com poucas salas?”
De acordo com Estela, os alunos do Ensino Infantil estariam sendo encaminhados pelas pré-escolas a outras unidades de ensino. “Os pais precisam voltar a procurar a ‘Nadeide’ por conta própria”, finaliza a mãe de Gabriela.
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