Chorei um mar de lágrimas.
Ainda estou aqui. Sentado estou no mesmo rochedo, cercado pelo mesmo escuro, debaixo da mesma solidão que se desmancha em negro e me molha corpo e alma.
Chorei um mar de lágrimas.
Sentado aqui, neste mesmo rochedo, eu ouvia o som da água caindo na água lá embaixo. Ouvi durante horas aquela música sem melodia alguma que escorria e escorria, até que a fonte secou no meio da vegetação, murcha há tempos.
Chorei um mar de lágrimas.
Abraçado a este mesmo escuro, sentia o sal que se ia solidificando no caminho das faces, que cavava a água lá embaixo, que nela se afundava. Depois de horas, bruscamente foi interrompida a queda de sal no oceano.
Chorei um mar de lágrimas.
E tudo foi inútil.
O mar que despejei no oceano não elevou o nível das águas. O sal que transbordou do peito ao mar não aumentou a sua salinidade.
Chorei um mar de lágrimas.
E as estrelas permanecem mudas e insensíveis. Só os bichinhos miúdos ciciam e ciciam no escuro, em redor desta rocha calada, testemunha de afeto e de dor.
Chorei um mar de lágrimas.
E, sobre mim, a solidão brinca de se desmanchar e de se refazer, sempre vestida de negro.
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