O novo comandante da Polícia Militar na macrorregião de Ribeirão Preto, que abrange Franca e outros 92 municípios, o coronel Humberto Figueiredo, esteve na cidade nesta terça-feira. A visita faz parte de um cronograma elaborado por ele para conhecer de perto as condições de trabalho da polícia nos 93 municípios que assumiu em março deste ano. Aqui, ele esteve no Batalhão e também visitou a Câmara Municipal, onde admitiu que faltam homens na PM e sobra burocracia.
Segundo o coronel, em toda a região, a defasagem de homens chega a 13%. “Mas esse índice é no geral, somando os 93 municípios. Mas é muito maior nas cidades maiores. Isso porque em municípios muito pequenos, que são a maioria, como são pouco policiais, entre 9 e 13, não podemos deixá-los descobertos. Então, nestes, quase não há defasagem. Ela acontece mesmo nas cidades maiores”. O coronel disse não ter como informar qual o déficit de policiais por município.
Figueiredo descartou problemas com equipamentos e viaturas. “O que nos falta é gente. Viatura temos. O que não temos, às vezes, é gente para colocá-las em operação”. Ele disse que a cada ano 25% da frota da Polícia Militar no Estado é substituída. “Tiramos os carros e veículos mais antigos e trocamos por novos”.
O coronel também afirmou que, no próximo ano, o governo do Estado deve contratar 5,4 mil novos policiais. “Com certeza, isso deve diminuir um pouco a defasagem da polícia. Mas não tenho como garantir que virão novos policiais para Franca. Não sou eu quem decide sobre isso. Eu apenas informo a necessidade e cobro providências. Mas a decisão não é minha”.
Burocracia
Para o coronel, além da contratação de novos policiais, o que também poderia melhorar a eficiência do trabalho policial seria a informatização do registro de ocorrências. Hoje os policiais militares são obrigados a ir a uma delegacia registrar as ocorrências.
“Segundo um estudo da PM, eles gastam cerca de 25% do tempo de trabalho fazendo esse serviço que poderia ser feito digitalmente de forma mais rápida, liberando o policial para estar na rua por mais tempo”. Ele disse que esse modelo novo de registro já funciona com sucesso em outros estados como Santa Catarina e Roraima.
Outra medida proposta é melhorar a integração entre o trabalho policial e outras esferas administrativas e de poder, como as Prefeituras e órgãos públicos. “41% dos chamados feitos para a polícia não são demandas tipicamente policiais. São casos que não têm nada a ver com a responsabilidade da polícia”, disse o coronel.
Copom
Figueiredo ainda descartou a volta do Copom (Centro de Comunicação da Polícia Militar) para Franca. “Nossa prioridade é colocar o policial na rua. Hoje temos tecnologias que permitem esse atendimento à distância de forma muito mais eficaz.”
Ele anunciou que o governo do Estado deve começar a construção de um Centro de Comunicação em Ribeirão Preto. A obra está orçada em R$ 24 milhões e, além da PM dos 93 municípios da macrorregião, ainda deve abrigar centrais de monitoramento e parceria com Prefeituras.
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