Com um olhar compenetrado nos diversos inquéritos de homicídios, latrocínios, roubos e furtos que estão sob a mesa de sua sala, localizada no andar de cima da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca, o delegado Márcio Garcia Murari, 51, se prepara para mais um dia de trabalho. Chegou cedo à delegacia pouco antes das 8 horas . Como de costume, fez o café para todos e voltou sua atenção para alguns dos muitos casos que estão sob sua responsabilidade, à espera de uma resolução. Com o passar das horas e chegada de diversas pessoas em sua sala, além de inúmeras ligações, instruiu rapidamente os 15 investigadores e quatro escrivães que compõem sua equipe e o ajudam a fazer da DIG de Franca uma das delegacias com maior número de casos esclarecidos da região de Ribeirão Preto.
Filho de funcionários públicos aposentados, irmão de duas mulheres, casado e pai de duas garotas, de 21 e 11 anos, Márcio nasceu em Cristais Paulista. Lá, trabalhou como repórter de rádio, escriturário, bancário, professor de Matemática e foi dono de restaurante. Entre uma função e outra, formou-se em Ciências Contábeis e Matemática, e tornou-se escrivão na Polícia Civil na cidade em 1991. “O Wanir (José da Silveira Júnior, também delegado, hoje na seccional de Franca) me incentivou. Em 1997, me formei em Direito na Faculdade de Direito de Franca e, em 1999, passei no concurso para delegado”, disse.
Assim que saiu da Academia de Polícia, o policial atuou como delegado-plantonista por um ano e meio no 55º DP no Parque São Rafael, zona leste de São Paulo. Depois, foi para Taiúva, região de Bebedouro, e respondeu também por Taiaçu. Após dois anos, Guará foi a outra cidade que ele assumiu e onde permaneceu por três anos e meio antes de, finalmente, voltar para perto de sua cidade e começar sua trajetória de sucesso e elucidação de crimes na DIG, onde está desde o dia 10 de outubro de 2006.
Durante esses anos à frente da delegacia, na qual é delegado titular há dois anos e meio, Márcio fez diversos cursos e foi responsável por milhares de prisões de ladrões de todas as classes sociais, a exemplo da “Gangue dos Playboys”; advogados envolvidos com o mundo do crime, como Adriana Tellini; assassinos e bandidos de todos os tipos e características possíveis.
Em meio a tantas detenções e história para contar, quais ocorrências mais o intrigaram? Absolutamente todas. “É uma década à frente de uma delegacia que, por possuir mais equipamentos, policiais e viatura, é cobrada e tem uma alta demanda de trabalho. Não tenho só um caso que me chamou atenção porque cada um tem sua peculiaridade e suas vítimas”, disse o delegado, que afirmou ser de responsabilidade de seus ‘comandados’ o alto índice de esclarecimento de crimes. “Eles se dedicam e trabalham muito, não importa dia e horário, para isso. Já nem preciso falar o que deve ser feito”.
Além de dedicar seu tempo à delegacia especializada, Márcio também atua como subcoordenador do GOE (Grupo de Operações Especiais) da Polícia Civil, criado em 2007.
Quando não está em sua sala, na delegacia, está ou nos corredores trabalhando e conversando com os agentes sobre crimes, ou na rua, apurando com os investigadores aquele roubo ou assassinato que acabou de acontecer.
“Somos policiais 24 horas por dia. Vivemos isso toda hora, minuto e segundo. Costumo dizer que não adianta ficar sentado esperando que o ladrão apareça na DIG e confesse o assalto”, ressaltou.
Dez anos depois de chegar à delegacia, ele não pretende parar. Quer mais esclarecimentos de crimes em meio à crescente violência que assola Franca e todo o País. Márcio atribui esse aumento à desestrutura familiar e ao destempero daqueles que cometem crimes graves como homicídios e latrocínios (roubos seguidos de mortes).
E o futuro? “Espero muito trabalho e mais anos na DIG. Estamos com bons índices e tirando criminosos de circulação diuturnamente. Por isso, mantenho a mesma disposição que tinha quando comecei na Polícia Civil”, afirmou o delegado.
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