Cervejas artesanais ganham espaço; francanos se arriscam


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Luiz Henrique Cruz montou, junto ao irmão, a Cervejaria Rural: hoje, eles produzem 1.800 litros da bebida todos os meses
Luiz Henrique Cruz montou, junto ao irmão, a Cervejaria Rural: hoje, eles produzem 1.800 litros da bebida todos os meses
O happy hour e a cerveja com os amigos no final de semana têm ganhado mais cor, aroma e sabor nos bares de Franca com as cervejas artesanais. Seguindo na contramão da crise econômica, o mercado tem conquistado cada vez mais o consumidor, que tem procurado sair do convencional e provar algo novo. As descobertas de sabores têm aumentado a venda no segmento em até 20%, de acordo com dados da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal. 
 
Em Franca, alguns estabelecimentos têm se especializado na venda das cervejas especiais, como Senhor Lúpulo, Cervejaria Rural, Empório Santo Malte, Bebidas Manieiro, Villarejo do Monjolo, além de bares, pubs, supermercados e produções caseiras. 
 
Técnico em informática, Matheus Ribeiro Ramos, 37, deixou a profissão de lado para apostar em novo ramo: confecção de cerveja. Matheus é proprietário do Senhor Lúpulo. “É uma paixão, um hobby que se tornou negócio. A oferta e a procura pela cerveja artesanal têm aumentado cada vez mais”, disse.
 
O seu estabelecimento conta com um vasto repertório de cervejas artesanais. Nas contas do sommelier, ao todo são 150 rótulos de países como Alemanha, Inglaterra, Escócia, Irlanda, Bélgica, Canadá, Estados Unidos e do próprio Brasil. Segundo Matheus Ramos, a média do preço varia entre R$ 20 e R$ 30. A mais barata é a belga Martens Lager (R$ 7). A cerveja mais cara é a Deus - R$ 280. Após um longo processo de fermentação na Bélgica, onde é usado apenas puro malte e água, ela é transportada para a cidade de Reims, na região de Champagne (França), onde é colocada em garrafas de champanhe e passa pelo mesmo processo de repouso nas caves, para segunda fermentação e chegar a sua suavidade.
 
“A cerveja artesanal tem sua particularidade de cada lugar e varia os ingredientes utilizados e ervas. Do processo se faz uma cerveja mais leve ou muito mais encorpada. O espectro é mais amplo das cervejas comuns. Além do sabor e qualidade, a diferença básica está no processo de produção, em seu tempo”, afirma. 
 
O processo de produção da cerveja envolve etapas como a definição do estilo, a seleção dos insumos e moagem do malte, mosturação, clarificação, fervura, resfriamento, fermentação e maturação. Todo mecanismo demora cerca de 30 dias para deixar a bebida pronta para degustar. 
 
Especialista no segmento, Matheus promove cursos na cidade para ensinar o todo processo de produção da cerveja artesanal.
 
Aposta no setor
O hobby de fabricar cerveja se tornou o sustento de casa na vida do gastrônomo Luiz Henrique Cruz. Durante o próprio curso na faculdade, o então estudante decidiu aprofundar ainda o conhecimento no universo da cerveja e escrever um artigo para sua graduação no curso. Neste mesmo tempo, Luiz Henrique passou a produzir suas bebidas em casa. A aceitação pela cerveja produzida foi unânime entre amigos e familiares. A partir daí, o francano decidiu se especializar com cursos. 
 
Ao lado do irmão Igor Henrique Cruz, Luiz investiu alto na compra de equipamentos, como tanques e caldeiras para fabricação de cervejas. Além disso, eles patentearam a bebida como Cervejaria Rural. Todo investimento foi de aproximadamente R$ 800 mil. O maquinário está instalado em anexo à Salgaderia Portucale, no Parque Moema. 
 
“Gosto do que faço. É bacana ver pessoas experimentando nossas cervejas e se interessando ainda mais nesse universo. A procura pela cerveja artesanal é boa e tem aumentado cada vez mais”, destaca. Por mês, são cerca de 1.800 litros de cervejas produzidos de quatro tipos diferentes.
 
O espaço é conhecido como um brewpub (cervejaria), onde a bebida é produzida e vendem por ali mesmo. A cerveja vem direta de tanques maturados.
 
 

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