Morreu o pastor José Fernandes Garcia


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Pastor José Garcia foi sepultado no Cemitério Santo Agostinho
Pastor José Garcia foi sepultado no Cemitério Santo Agostinho
Morreu às 22h40 do dia 2, na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital São Joaquim/Unimed, o pastor José Fernandes Garcia, um dos pioneiros da Igreja do Evangelho Quadrangular no Brasil. Tinha 75 anos.Em 24 de setembro foi acometido por AVC e transferido à hospitalização. Permaneceu na UTI do hospital até o dia 29. Contraindo pneumonia, iniciou nova luta pro saúde. ’Papai teve sequelas em um lado do corpo, por causa do AVC. Comunicava-se com a gente, por gestos. A pneumonia, somada ao AVC, causaram nele grande debilitação física. Dia primeiro, voltou à UTI. Infelizmente o perdemos no domingo, dia 2’, disse a filha Raquel.
 
Era natural de Buritizal. Segundo sua filha, o pai, ainda jovem, convivia com quadro reumático que lhe impedia participar dos folguedos das crianças e jovens de sua idade. Em Franca, para onde sua família se mudou, assistia a jogos de futebol dos amigos, sentado à beira dos campinhos. Ao lado, a ’Tenda’, a primeira igreja do Evangelho Quadrangular de Franca. Via, recorrentemente, missionários orando, e um dia, prometeu a si mesmo que seria como eles, se tivesse saúde plena. 
 
Uma senhora da comunidade religiosa, d. Felicidade, soube da promessa do menino. Convidou-o a participar, com a família, das atividades da igreja. Foram. Ao longo dos anos, seu quadro de saúde melhorou. ’Papai viu essa melhora como um sinal de Deus. Quis ser pastor. Nos cultos, conheceu d. Bárbara e sua filha, Cleunice, e passou a acompanha-las à residência, situada no bairro Cidade Nova. Dai ao namoro com Cleunice, noivado e casamento, foi um pulo. A história de meus pais é linda’, disse Raquel.
 
José e Cleunice tiveram 42 anos de matrimônio. Do enlace, quatro filhos (Joel, primeiro casamento com Rosemeire; e, restando viúvo, casou-se com Ezilda; Raquel, Débora, casada com Edmar Nascimento e Jadiel, casado com Tatiane), e quatro netos (Paula, Silas, Felipe, Júlia).
 
Formado pastor — o prontuário dele como missionário evangélico tem o número 114 dentre todos os pastores do Brasil — a família passou a acompanhá-lo por várias cidades, onde ele, grande capacidade de concentração de pessoas para ouvirem a Palavra de Deus, fundou várias igrejas. ’Foi um tempo de muitas mudanças de residência, mas nos adaptamos, respeitando-o em sua vocação. Mamãe jamais o deixou só. A presença de todos nós, perto dele, sempre lhe deu forças’, contou Raquel. Foram 52 anos de ministério. Ultimamente, pastor José Garcia estava afastado, cuidando da saúde. ’Mamãe faleceu há 10 anos. Viúvo, dedicou-se a nós e a nova igreja, que criou no bairro Samel Park. Deixou-nos legado de fé imensa em Deus, respeito ao próximo’, disse, emocionada, a filha.
 
Contou também que, no velório, foi ’enormemente surpreendida com carta escrita por ele sem que ninguém soubesse, guardada com Adriana, secretaria da Igreja Quadrangular de Franca, só apresentada naquele momento, uma cópia para cada filho’. Nessa ‘Carta aos Filhos’, o pastor escreveu ’Agradeço a Deus pela vida de vocês, pelo tempo que vivemos juntos, por tudo o que vivemos com a sua mãe, pelo ministério que Deus me confiou e todos os colegas de Ministério. (...) olhando para trás, fui muito feliz. Muitas vezes me dediquei mais ao serviço e à igreja do que à família, mas isso é que dava alegria: fazer a obra de Deus. Só hoje sei que isso foi possível por causa da ajuda e apoio de vocês, da pastora Cleunice, também de minha mãe, dos irmãos, cunhados e sobrinhos. Sei que Deus os recompensará. Que todos permaneçam firmes na fé e sempre seguindo a Jesus Cristo. Vivam neste amor, que excede todo o conhecimento’.
 
No velório, realizado no São Vicente de Paulo, o filho Jadiel declamou parte de música que, acreditava, ser a descrição exata do pai: ’Meu pai não foi perfeito, mas ensinou sobre o Deus perfeito; sobre o salvador perfeito; sobre a graça perfeita; a ser agradecido ao senhor perfeito.’ Sepultamento, com serviços da Funerária Francana, aconteceu às 16 horas do dia 3, no Cemitério Santo Agostinho.

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