Um dos grandes problemas brasileiros, e isto vem de pelo menos três ou quatro décadas atrás, é a qualidade do ensino público, que continua ostentando índices de Terceiro Mundo nos ranking internacionais. Ao mesmo tempo em que outros países conseguiram reverter um quadro que se desenhava preocupante, como o verificado por aqui, no Brasil nada foi feito para reforçar e melhorar a qualidade da escola pública seja por falta de vontade política ou por comodismo do poder público. Um dos grandes instrumentos criados nos últimos anos para avaliar estudantes -- e, por extensão, os professores --, o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) tem tido responsável por explicitar uma série de dados capazes de balizar as reformas que o governo pretende implantar através de medida provisória.
Um grande exemplo: apenas 32 escolas das que tiveram o ensino médio avaliado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) em 2015 têm todas as disciplinas ministradas por professores com formação específica na área em que lecionam. Isso significa 0,21% de 14.998 instituições analisadas a partir de dados coletados no Enem do ano passado. Delas, só sete são públicas. As 32 escolas alcançaram médias gerais altas no Enem. Se ampliarmos para 80% a porcentagem de professores com formação específica para a disciplina em que dão aula, 1.756 entram na lista, ou seja, 11,7% do total de escolas. Delas, um pouco mais da metade (992) são públicas.
Segundo os especialistas, há uma forte correlação entre a formação adequada do professor e o desempenho dos alunos. Para eles, os dados divulgados pelo Inep explicitam uma situação cotidiana nas escolas públicas: a falta de professores. Este é um dos pontos principais que precisam ser atacados pela reforma em estudos pelo governo, A falta de valorização dos professores, aliada a baixos salários e jornada estressante acaba impedindo que a profissão passe a ser menos atrativa para os estudantes de hoje. Se não houver um amplo debate sobre a reforma do ensino público, corre-se o risco de se criar uma estrutura deficiente e incapaz de melhorar o quadro atual. Todos precisam se interessar e apresentar suas propostas para que o ensino público brasileiro atinja a excelência que todos esperamos. Se o próprio aluno não for envolvido e passe a encarar os estudos como importante para o seu crescimento pessoal, aumentando as suas chances profissionais no futuro, será difícil para o governo promover uma reforma que atenda aos interesses de todos, inclusive os próprios educadores.
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