Os vereadores Matheus Garofalo Fernando (PSB) e João Tadeu Jorge Junior (PSC), de Miguelópolis, já estão atrás das grades. Com o vencimento do benefício do habeas corpus, concedido no final de setembro, se entregaram à Polícia Civil na noite dessa terça-feira. Agora, seu destino será o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Franca. O terceiro vereador contemplado com o habeas corpus, Vicente de Paula Moura (PMDB), ainda não se apresentou à polícia.
Os políticos, investigados por organização criminosa, corrupção passiva e usurpação de função pública, solicitaram esse recurso sob o argumento de que não poderiam ser presos durante o período eleitoral. Segundo o advogado de Matheus e João Tadeu, Ítalo Rondina Duarte, os vereadores se apresentaram espontaneamente para que o mandado de prisão preventiva fosse cumprido. “O prazo das 48 horas para prisão após o fim das eleições trouxe os dois até o Plantão. Eles agiram de boa fé se apresentando à polícia e negam qualquer envolvimento com os crimes nos quais foram citados”, disse Duarte, que já entrou com pedido da conversão da prisão preventiva de ambos em domiciliar ou medida cautelar.
O motivo, de acordo com o defensor dos vereadores, se deve a questões familiares. Isso porque, segundo Duarte, a filha mais nova de João Tadeu é portadora de Síndrome de Down, tem problemas no coração e foi submetida a uma cirurgia na coluna recentemente. Já um filho de Matheus possui deficiência mental. “É extremamente importante que os pais estejam com seus filhos, que vivenciam situações tão parecidas. Por essa razão, e pelos vereadores afirmarem que não têm vínculo com os crimes, estou pedindo suas prisões domiciliares.”
Após prestarem depoimento no Plantão Policial, os políticos foram encaminhados às celas da delegacia. Até o fechamento desta edição, a expectativa da polícia era de que eles passassem a noite no local para, nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira, serem encaminhados ao CDP por agentes da DIG (Delegacia de Investigações Gerais). Já Vicente, que também deveria ter se apresentado ontem à polícia, não compareceu à delegacia.
A operação
Dos 11 vereadores da Câmara de Miguelópolis, oito estão sob investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). Cinco deles foram presos na segunda fase da Operação Cartas em Branco em setembro, que investiga irregularidades em 40 contratos assinados entre 2013 e 2015 em licitações das áreas de compra de materiais de escritório, transporte e consultorias.
Já João Tadeu, Vicente e Matheus fugiram. Eles conseguiram habeas corpus pouco depois das prisões e ficaram livres em meio à operação.
Dos oito investigados, apenas João Tadeu conseguiu se reeleger no último domingo. Porém, segue sob investigação e está proibido de frequentar prédios públicos, assim como os demais e o próprio prefeito da cidade, Juliano Mendonça Jorge (PRB), que está preso em São Paulo desde abril.
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