'A espera não é tão ruim quanto a falta de informação'


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A sapateira Ellaine Rocha sonha em se mudar para o apartamento novo no Residencial Copacabana com os três filhos
A sapateira Ellaine Rocha sonha em se mudar para o apartamento novo no Residencial Copacabana com os três filhos
A tinta não se fixa no bolor e na umidade das paredes. O calor armazenado pela telha eternit age como uma estufa. Uma pia fixada na área externa serve como cozinha e em um dos únicos locais em que a goteira não consegue penetrar estão abrigados a geladeira e o fogão. Essa é a situação em que se encontra a casa da sapateira Ellaine Rocha, nos fundos do Miramontes. Há mais de um ano, ela alimenta o sonho de levar os três filhos - Karoline (13), Marcos (8), e Kemilly (1,8 ano) - para o apartamento a que tem direito no conjunto habitacional Copacabana II e oferecer a eles uma moradia mais digna.
 
“Fiz promessa de ficar um ano sem beber para conseguir ser sorteada com um apartamento e cumpri. Minha filha tem bronquite e esse ambiente faz mal. Ela já teve até uma parada respiratória”, afirmou Ellaine. “Rezo a Deus para que não chova porque. Quando isso acontece, molha quase tudo.”
 
Assim como a sapateira, 406 famílias aguardam para receber seus apartamentos dos conjuntos habitacionais Copacabana I, II e III, cujas obras deveriam ter sido concluídas há mais de um ano.
 
De acordo com proprietários ouvidos, a indefinição e falta de previsão para a entrega têm impedido o desenvolvimento de seus planos pessoais.
 
“Moro em um quartinho dos fundos da casa da minha família. Penso em conseguir um lugar melhor. Mas como faço compromisso de aluguel com o meu apartamento podendo sair a qualquer momento?”, disse a sapateira Drielly Tuanny Caetano. “Isso é chato porque acontece, principalmente, pela falta de informação. A gente não sabe quando ou se vamos mesmo pegar o apartamento porque a Caixa não informou nem mesmo se o cadastro foi aprovado. A insegurança é muito grande.”
 
A falta de informação é um tema recorrente entre os proprietários que aguardam. Principalmente porque uma das etapas para a entrega dos apartamentos é a chancela da Caixa retificando a validade das informações fornecidas pelos mutuários bem como aprovação de sua situação sócio-econômica.
 
“A espera não é tão ruim quanto a falta de informação. Não sabemos nem ao certo quem a Caixa aprovou. Meu medo é ter planejado a minha vida na espera desse apartamento e depois me desiludir”, disse Ellaine.
 
Expectativa
Ellaine e Drielly afirmam enxergar na nova casa mais do que paredes e teto. “É a realização de um sonho. Minha vontade é ver meus filhos na casa nova, morando bem. O Marcos é o que mais pede para a gente se mudar. Ele se sente apertado”, disse Ellaine. 
 
“Vivo uma ansiedade diária. Querendo de volta a minha privacidade. Se, pelo menos, assinássemos o contrato com a Caixa, ficaríamos mais aliviados porque trata-se de uma garantia”, afirmou Drielly.
 
A Caixa
Em nota, a Caixa Econômica Federal informou que a construtora solicitou reprogramação das obras em virtude de dificuldade de contratação de mão de obra e aquisição de materiais específicos e que “a data prevista para entrega do empreendimento é abril de 2017.”
 
A construção faz parte dos programas Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, e do Casa Paulista, do governo estadual. Com investimento superior a R$ 34 milhões, a obra deveria ter sido concluída em julho do ano passado.
 

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