Recado das urnas é bastante claro


| Tempo de leitura: 2 min
O alto número de abstenções somado aos votos nulos e brancos no pleito do último domingo, mostrando que quase a metade dos brasileiros habilitados a votar se negou a escolher seus representantes é preocupante. Embora exija mudanças e se manifeste pela salutar alternância de poder, o eleitor está completamente desanimado diante das notícias que lê a cada dia nos jornais envolvendo a classe política, principalmente no que diz respeito à corrupção.
 
Hoje, a preocupação maior é com o histórico e as propostas do candidato. Ainda mais por causa das características da campanha eleitoral, com menos espaço no rádio e na TV, além de uma série de limitações imposta pela lei em relação aos pleitos anteriores. Hoje, o candidato depende do corpo a corpo com os eleitores e passa a se expor com maior frequência, permitindo que suas propostas sejam conhecidas e discutidas, o que não ocorria nas campanhas anteriores. A limitação de gastos exigiu que o candidato buscasse outras formas de se apresentar, colocando-o mais próximo do eleitor também nas redes sociais. O resultado das eleições municipais em Franca deixou isso claro.
 
O francano hoje busca conhecer a atuação de seus representantes. Graças a isso, sete vereadores não conseguiram votos suficientes para um novo mandato no Legislativo do município, entre eles quatro dos que votaram contra a cassação do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB): apenas dois foram reeleitos. A faxina foi grande. Dos atuais vereadores, apenas cinco conseguiram novo mandato: Adermis Marine (PSDB), Nirley de Souza (PP), Claudinei da Rocha (PSB), Donizete da Farmácia (PSDB) e Marco Garcia (PPS). Daniel Radaeli (PMDB) não disputou a reeleição Valéria Marson (PSD) compôs a chapa majoritária de Sidnei Rocha (PSDB), que disputa o segundo turno com Gilson de Souza (DEM). Os demais foram varridos pelos eleitores.
 
E não foi por falta de aviso. Nos últimos anos vínhamos alertando para o descontentamento que os vereadores aliados ao prefeito poderiam não conseguir se manter no posto. A renovação mostra a insatisfação com o trabalho dos atuais parlamentares que, nesta legislatura, protagonizaram cenas vergonhosas como agressões a eleitores em plenário, bate-bocas e até suspeitas de irregularidades em obras municipais de estradas rurais. O recado, agora, precisa ser assimilado por toda a classe política brasileira: poucos serão eleitos caso não demonstrem interesse em defender quem lhes deu o mandato. O eleitor exige ser respeitado, nem que para isso deixe de comparecer à seção de votação, anule ou vote em branco, como ficou demonstrado no último domingo.
 
email opiniao@comerciodafranca.com.br

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários