Nos últimos anos, o Brasil tem acompanhado estarrecido os desdobramentos da Operação Lava Jato, que descobriu o maior esquema de corrupção do País. As investigações mostram, a cada delação ou exame de documentos, que grande parte da classe política brasileira está envolvida com o ‘clube das empreiteiras’, que superfaturava obras da Petrobras para pagar propinas a legendas partidárias, políticos, doleiros e diretores da estatal. O processo, levado a efeito pela Justiça Federal do Paraná, já condenou ex-ministros e empresários à cadeia, provocou a cassação de um senador (que era líder do governo) e arrasou um dos maiores partidos políticos do País, o PT. Hoje, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado da mulher Marisa Letícia, filhos e parentes, corre o risco de seguir o mesmo caminho de dois de seus homens fortes quando no governo: José Dirceu e Antonio Palocci estão na cadeia, o primeiro já condenado pelo juiz Sérgio Moro.
Diante de tudo isso, a população brasileira passou a exigir mudanças e viu sua pressão causar o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a cassação do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O eleitor brasileiro tem a grande arma para começar a promover a mudança que pretende, ao eleger vereadores e prefeitos. Com isso, ainda tem a chance de mandar um claro recado aos seus representantes nos Poderes Executivo e Legislativo de que não está contente com os rumos da política no Brasil. Assim como um pequeno produtor rural, o eleitor precisa hoje extirpar as ervas daninhas que insistem em sobreviver e sufocar a produção da área rural. O eleitor teve cerca de um mês para acompanhar e até interpelar pessoalmente os candidatos, com amplas condições de conhecer a fundo os interesses e motivações dos que se apresentaram para representá-lo, em razão das características da campanha eleitoral.
Em nosso município, o francano tem condições de promover uma completa reformulação a partir da Câmara de Vereadores, muito criticada nas últimas legislaturas em razão do corporativismo e do fisiologismo que levaram a resultados pífios e amplamente criticados. A Câmara precisa demonstrar (o que não tem ocorrido nas últimas décadas) verdadeiro interesse em defender quem deu os votos para cada um de seus membros. Tudo o mais deve ser desconsiderado. Somente assim o eleitor estará comandando, de fato, a mudança que exige na política, a partir de seu quintal, com plenas condições de cobrar, fiscalizar e reivindicar. Caso use a consciência para escolher seu prefeito e seu vereador, a renovação está garantida e o futuro passa a se desenhar menos nebuloso. Do contrário, depois não adianta reclamar.
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