Disse, sabiamente, o espírito Eurípedes Barsanulfo, pela psicografia de Chico Xavier, que ‘vencedor é o que venceu a si mesmo’. Desnecessário esforço para entendermos que o benfeitor espiritual refere-se à batalha que nos cumpre empreender para vencermos as nossas imperfeições.
Bem sabemos, todos, quanto é difícil vencê-las. Primeiro, porque, quase sempre, somos tomados pelo desculpismo para justificar as nossas falhas, enquanto recusamos perdoar as falhas dos outros. Segundo, pelo nosso arraigado vitimismo, já, em si mesmo, um grave defeito a nos fazer crer que somos vítimas de pessoas ou circunstâncias. Terceiro, por preservarmos o antigo e viciado status, nada fazendo para sairmos da sempre equivocada ‘zona de conforto’.
É que vencermos a nós mesmos exige esforço que poucos estão dispostos a empreender, preferindo deixar que a vida siga como está até que a dor ou o sofrimento nos convoquem à postura corretiva. São as leis divinas que, sábias e justas, manifestam-se, implacáveis, pela nossa consciência que, agora, gravemente incomodada, busca redimir-se.
Assim, tal como participar de uma disputa olímpica, lutar pela substituição do ‘homem velho’, que somos, pelo ‘homem novo’, requer preparo adequado, dedicação permanente a exercícios exaustivos, ou não enfrentaremos os adversários que abrigamos no nosso próprio mundo íntimo. Que comecemos por conhecer a nós mesmos, atribuindo significação à socrática recomendação do ‘conhece-te e ti mesmo’ como receita infalível para a nossa autorreforma.
E não foi por outra razão que Santo Agostinho, respondendo a uma pergunta de Allan Kardec (questão 919 de O Livro dos Espíritos), citou a frase, já repetida por Platão, e confirmada por Jesus no ‘aquele que perseverar até o fim será salvo.’
Perseverar no bom combate. Na luta por melhorar-se. Não é, justamente, o que nos recomendam Sócrates e Eurípedes Barsanulfo?
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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