Ainda estamos descendo a ladeira


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O governo federal, em que pesem os anúncios de Michel Temer (PMDB) que ainda não saíram do papel, acompanha quase de mãos atadas a deterioração da economia brasileira. Os números mais recentes mostram que ainda não se encontrou uma forma de recolocar os mais diversos setores produtivos nos trilhos, permitindo à nossa economia crescer como não se vê desde que a presidente tomou posse. A última má notícia foi divulgada ontem: a taxa de desemprego no Brasil, medida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, subiu para 11,8% no trimestre encerrado em agosto. Nos três meses anteriores, a taxa estava em 11,2%, e já era a maior da série histórica.
 
A situação continua grave e séria, Enquanto o governo não encontrar uma fórmula que permita promover a retomada do crescimento, priorizando a redução dos rombos do caixa, não há qualquer possibilidade que o índice de emprego retroceda. Utilizar o mesmo remédio dos governos petistas, a desoneração dos setores produtivos para estimular o consumo, já se mostrou inócuo. Aliás, grande parte dos males que colocaram o País nesta forte recessão que recrudesce a cada mês, são decorrentes da fórmula mágica que uniu desonerações — que descambaram numa inadimplência recorde —, contabilidade criativa e congelamento dos preços administrados, causando um rombo nas contas públicas que hoje o governo tenta resolver sem exagerar nos remédios amargos necessários para tirar o Brasil da crise em médio e longo prazos. Como a história já mostrou, nem o estímulo ao consumo e nem o aumento da taxa de juros conseguem segurar a inflação em alta e o PIB em baixa e a explosão do desemprego.
 
Tentar tapar o sol com a peneira a área econômica do governo não vai conseguir. Quem vai ao supermercado periodicamente já percebeu que os preços estão subindo e bem acima do que a meta da inflação oficial. Seja por causa da sazonalidade ou de outros fatores, que levam ao aumento da demanda diante da redução da oferta, há produtos cujos preços subiram muito mais do que 30% nos últimos doze meses — cerca de três vezes o índice inflacionário do período. Já passou da hora do Planalto se mexer e definir a sua política econômica. Se quiser mesmo reverter a situação, deve a equipe econômica do governo federal buscar soluções que privilegiem o crescimento do País. Do contrário, a deterioração irreversível nos indicadores poderá nos levar às incertezas e desafios de duas décadas atrás.
 
 
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