A cada dia, em média, oito mães procuram o Conselho Tutelar em busca de ajuda para conseguir uma vaga para seus filhos em creches da cidade. O problema do déficit de vagas nas creches francanas é antigo e, de acordo com dados da própria secretária de Educação, Fabiana Sampaio, fornecidos durante esclarecimentos na Câmara Municipal em junho deste ano, faltam mais de duas mil vagas na cidade. Na tentativa de conseguir uma vaga, mães passam por uma verdadeira maratona. O problema maior é que, mesmo assim, nem sempre têm sucesso.
“As mães precisam passar por uma verdadeira via sacra para conseguir vagas. Recebemos todos os dias pessoas desesperadas, que precisam da vaga para poderem trabalhar e ajudar no sustento da casa. Sem alternativa, depois que procuram as unidades e recebem a negativa, elas procuram o Conselho Tutelar em busca de ajuda, mas o máximo que podemos fazer é requisitar a vaga”, disse o conselheiro Marcelo Mambrini.
Segundo o conselheiro, cerca de 250 mães procuram, todos os meses, os dois Conselhos da cidade como forma de conseguir ajuda para que as vagas para os filhos sejam disponibilizadas.
“O que chama a atenção é a dificuldade para essas mães. Elas passam pelas creches, pela central de vagas de creches e, sem sucesso, precisam procurar ajuda e acabam chegando ao Conselho. Depois de tudo isso, ainda precisam entrar na Justiça para conquistar um direito que já é delas”, completou o conselheiro.
Entre as mães que aguardam há meses por uma vaga está a auxiliar de produção Tatiana Maria Lopes Nunes, que mora na Vila Santa Terezinha. Com um filho de dois anos, ela procurou o Conselho Tutelar para agilizar o processo e tentar finalmente uma creche para o filho.
“Tento uma vaga há nove meses. Já perdi um emprego, pois precisava ficar saindo em busca da vaga para o meu filho e fui demitida, mas preciso muito trabalhar e estou com medo de ficar desempregada de novo, pois estou no mesmo processo. Já busquei Secretaria de Educação, Conselho Tutelar e agora a Defensoria Pública. Não sei mais o que fazer”, disse.
Determinações
Precisando das vagas para trabalhar, diversas mães também buscam ajuda na Defensoria Pública.
Segundo o defensor público Leonardo Arantes Vicentini, responsável por parte das ações judiciais para obtenção de vagas em creches na cidade, nos últimos anos a situação tem se agravado. A afirmação é baseada em estatísticas que apontam que em 2014 foram 970 atendimentos dessa natureza, contra 1,5 mil em 2015 e neste ano, somente até junho, mais de 1,3 mil pedidos.
“Existe a omissão em relação as tentativas administrativas da Defensoria mas, ao que parece, a Prefeitura fica esperando ingressarmos com as ações para, com as liminares ou sentenças, buscarem uma solução. Notamos que, ano a ano, a demanda por vagas cresce, porém a administração não está conseguindo suprir e em um número muito elevado. Mostrando que de fato o município não atua de maneira efetiva dentro da demanda da sociedade de Franca”, disse Vicentini.
Outro lado
A Prefeitura foi procurada por quatro dias seguidos, tanto por e-mail como por telefone, para responder os questionamentos, mas até o fechamento desta reportagem não houve retorno.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.