Aos 69 anos, Maria Izabel Carvalhaes mantém uma rotina agitada. Pratica vôlei às terças e quintas-feiras, zumba às quartas e aula de informática às sextas. E mais: mesmo aposentada, optou por continuar trabalhando com a venda de salgados que ela mesma produz.
“Continuei trabalhando porque só a aposentadoria não é suficiente para a gente viver. Mas hoje trabalho mais tranquila, no meu tempo”, disse ela sobre um dos motivos que a impulsiona a tantas atividades. “A gente vai ficando ‘de idade’ e precisa ocupar a cabeça para não ficar pensando em coisa ruim. Nas aulas, fiz muitas amigas. Outro dia fomos em excursão para o Thermas dos Laranjais. Conversamos muito pelo WhatsApp e Facebook”, contou.
De acordo com uma pesquisa do SPC Brasil, o perfil de Maria Izabel - aposentados que continuam trabalhando e levando uma vida ativa - é cada vez mais comum e, atualmente, um terço dos aposentados acima de 60 anos ainda trabalha no país.
De acordo com a Previdência Social, o Ministério do Trabalho e a Prefeitura de Franca, não há dados estatísticos que apontem uma porcentagem de quantos aposentados continuam na ativa mas, segundo observação de instituições municipais, aparentemente, a população local tende a replicar a pesquisa nacional.
“No programa Caminhos para o Emprego, por exemplo, é cada vez mais frequente a busca de pessoas acima dos 60 anos por cursos profissionalizantes. Normalmente, são aqueles que abrem portas para a complementação de renda, como o de fabricação de doces, bolos e salgados, por exemplo”, afirmou a assessoria de imprensa da Prefeitura.
Assim como Maria Izabel, a técnica em enfermagem Iberita Garcia, de 61 anos, decidiu continuar em sua profissão mesmo após se aposentar. “Trabalho na área da Saúde desde os meus 16 anos e preferi continuar trabalhando para me acostumar à ideia de deixar a profissão. Vi muitas colegas que pararam de trabalhar abruptamente ficarem doentes por isso”, afirmou. “Então, continuei, mas reduzi minha carga horária. Trabalho de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 16 horas. Depois, tenho tempo de cuidar da minha casa e dar atenção aos meus netos.”
Semana da Pessoa Idosa
O Comuti (Conselho Municipal da Terceira Idade), com apoio da Prefeitura e a participação dos CCIs (Centros de Convivência de Idosos) e entidades de acolhimento de idosos, iniciou na segunda-feira - e encerrará amanhã - a Semana de Valorização da Pessoa Idosa. Em diversos locais, como sedes dos CCIs e lares, atividades como cafés, dança e confraternização foram promovidas.
Na última terça-feira, o Comércio acompanhou um dos eventos, que aconteceu no Lar Dona Ofélia. Com a tranquilidade de que não tem pressa para que o tempo passe, os abraços de reencontros foram demorados, acompanhados de cumprimentos ao pé da orelha, carinho no rosto. Por afinidade, os presentes foram se acomodando para prestigiar uma atração de dança que seria apresentada por frequentadores do CCI Lions Sobral.
“Solta o som DJ! Vamos logo que eu já estou ‘ensaiadinha’”, gritou uma das dançarinas. Em pouco tempo, o DJ atendeu ao pedido e, numa coreografia singela, os passos dos artistas desenharam a Aquarela do Brasil, com direito a samba no pé. Depois, todos os presentes integraram à proposta e ensaiaram de improviso a canção Trem das Onze. Maria Izabel, a salgadeira, era uma das mais animadas. “A gente conversa depois que eu dançar, pode ser?”, combinou com a reportagem.
Amanhã, o encerramento da Semana de Valorização da Pessoa Idosa contará com reunião ordinária do Comuti e o Baile da Amizade, que acontecerá no CCI Lions Sobral (av. Moacir Vieira Coelho, 3.320), das 13h30 às 15h30.
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