Em dia de caos, pacientes esperam no chão do PS


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Com Pronto-socorro Municipal ‘Álvaro Azzuz’ lotado, pacientes aguardam até no chão por atendimento, durante essa quarta-feira
Com Pronto-socorro Municipal ‘Álvaro Azzuz’ lotado, pacientes aguardam até no chão por atendimento, durante essa quarta-feira
Recepção lotada. Pessoas revoltadas e impacientes. Mais uma vez essa cena se repetiu no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”. Na tarde de ontem, cansados de esperar por atendimento, e diante de uma sala lotada, vários pacientes resolveram sentar no chão enquanto aguardavam atendimento. Em alguns casos, segundo os próprios pacientes, a demora ultrapassou as seis horas. 
 
A aposentada Ofélia das Graças Domingos, de 68 anos, estava acompanhando uma amiga que aguardava para ser atendida. “Ela estava com febre e muitas dores no corpo e estava esperando desde às 10 horas por atendimento. Agora (16h20) ela acabou de ser chamada, mas isso só depois de outros pacientes revoltados brigarem com os enfermeiros”, disse a amiga .”
 
Segundo os pacientes, algumas pessoas, que passavam muito mal, optaram por esperar até mesmo deitados no chão. “Muita gente aqui está passando ainda mais mal de tanto esperar. Um paciente chegou a deitar no chão de tanta dor e, somente depois disso, foi atendido. Agora que começaram a chamar pacientes que chegaram no período da manhã, isso é um verdadeiro absurdo”, desabafou o açougueiro André Luís Oliveira, de 31 anos, que aguardava há mais de duas horas depois de sofrer um acidente de trabalho. 
 
Com problemas no coração, a aposentada Luciana Gomes, de 45 anos, chegou ao PS com arritmia cardíaca e muita falta de ar. Mesmo assim teve que esperar e não sabia quando seria atendida. “Minha condição é grave e nem assim me passaram na emergência. Estou preocupada, pois faço tratamento no coração e estou desesperada e com muito medo. É revoltante precisar de atendimento e não ter.”
 
“Sabemos que tem pessoas aqui em situação mais complicada, mas nem eles estão sendo atendidos e isso nos provoca uma grande revolta. Estou com dores fortes e nem faço ideia se sairei daqui antes de anoitecer”, disse a sapateira Débora Cristina Eugênio, de 29 anos, moradora do Jardim Tropical.
 
Em agosto, situação semelhante foi registrada no PS. Na ocasião, pacientes esperaram até quatro horas por atendimento e, sem cadeiras livres, tiveram que esperar sentados no chão.
 
Justificativas
De acordo com o secretário de Saúde, José Conrado Netto, o atendimento no PS tem aumentado, principalmente nas segundas e terças-feiras. Ontem, segundo ele, o pico de atendimento chegou a 4 horas devido a movimentação atípica.
 
“Estávamos com quatro médicos nos consultórios, três na ala de urgência e emergência e outro apenas na parte de suturas. A questão é que estamos notando um crescimento muito grande na procura por atendimentos na rede pública, tanto PS, PS Infantil e na UPA”, disse ele.
 
Segundo Conrado Netto, mais um médico deve ser acionado para atender nos dias de picos e, dessa forma, ajudar a evitar a demora no atendimento.
 
“Notamos nos últimos 45 dias que nas segundas e terças-feiras o número de pessoas que procuram o PS aumenta. Por exemplo, na última segunda-feira, foram realizados 918 atendimentos. Ontem, foram cerca de 700. Com o tempo mais seco, a procura também cresce”. Em relação às pessoas sentadas no chão, o secretário alegou que nas últimas semanas foram instaladas mais 60 cadeiras na recepção do PS para amenizar a situação. 

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