"A herança que deixa é prática de amor irrestrito neste mundo de tanta dor e de tanta violência”
Morreu às 17h20 do dia 19, no Hospital São Joaquim/Unimed, a senhora Inês Ferreira Junqueira, aos 70 anos. Inês sentiu-se mal na sexta-feira, 16 de setembro, e foi levada a consulta médica pela família. “Diagnosticada com virose, não imaginávamos que a perderíamos em questão de dias”, disse o filho Marcos, jornalista responsável pela área de Comunicação da Câmara Municipal.
“No sábado, iniciamos o tratamento prescrito e ela teve melhora. No domingo, sentiu-se novamente mal. A conduzimos ao hospital e exames aprofundados revelaram grave infecção. Internada, não sobreviveu ao final da segunda-feira”, contou o filho. “Sofremos muito, mas respeitamos a vontade de Deus”, disse ele.
Estava viúva há 20 anos do militar Djaime Junqueira, com quem teve casamento de 31 anos. “Papai conheceu mamãe na capital paulista, onde ele atuava em delegacia e ela trabalhava em empresas texteis. Casaram-se. Em 1981, mudaram para Franca. Ele morreu pouco tempo depois de terem vindo. Ela tornou-se pai e mãe, capaz de nos amar como só as mães sabem, mas também ralhar, como pai preocupado em formar filhos para a vida”, disse Marcos. Do enlace, dois filhos, Marcos, casado com Cidinha, e Rosana. Dos casamentos dos filhos, Inês e Djaime tiveram quatro netos (Paula, Artur, Ana Laura, falecida; e Lucas), e um bisneto, Miguel. “Minha mãe estava felicíssima, ajudando a compor o enxoval para mais uma esperada neta, Lavínia, que chega mês que vem”, disse Marcos.
Em Franca, Inês empregou-se como cozinheira no Lar São Vicente de Paulo. “Encantou-se com o trato a idosos. Gostou tanto que resolveu especializar-se, formando-se técnica de enfermagem. Atuou na Santa Casa e também no Lar de Ofélia. Eu tinha em torno de 10 anos e a acompanhava ao trabalho. Via o carinho e o cuidado que dedicava aos internos. Aprendi muito sobre respeito humano, observando-a voltar-se totalmente a quem já não tinha o viço e o vigor da juventude. Também, sobre humildade. Para mamãe, não havia serviço que ela não fizesse. Aliás, não havia limite para o que achava que podia fazer. Foi até ‘cupido’. É conhecida a história que incentivou entre dois internos do Lar de Ofélia, o sr. Geraldo e d. Maria, eles que gostavam de se falar em ocasiões de eventos no lar. Mamãe percebeu. Não descansou enquanto não os aproximou. O ‘namoro’ deles era bonito, mãos dadas e muito carinho. Contribuiu para a redução da solidão deles e do amor puro que os uniu dai em diante”, emocionou-se o filho.
“Só depois de sua morte fomos conhecer mais do muito que mamãe fez por tantos. Há muita gente agradecida a ela. A herança que deixa é a da prática de amor irrestrito neste mundo de tanta dor e de tanta violência. Guardamos no coração cada sorriso seu, cada lição que nos ensinou. Temos, como seres humanos, o poder de escolha. Escolhemos, então, nos lembrar não das dores ou tristezas que ela passou, mas sim, da forma sorridente que queremos eternizá-la, viva e feliz”, concluiu Marcos.
Velada no São Vicente de Paulo, Inês foi cremada no Ecológico de Ribeirão Preto, no dia 23, sob cuidados da Funerária Nova Franca. Suas cinzas foram depositadas no túmulo da família no Cemitério da Saudade.
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