Nunca antes na história deste País tantos enriqueceram com palestras e consultorias. Três nomes se destacam: o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva e os ex-ministros Antonio Palocci Filho e José Dirceu. O problema, descobriu-se depois, é que todo o dinheiro que bancou um aumento de patrimônio incompatível com os vencimentos do trio saiu de empreiteiras que vêm sendo investigadas por envolvimento em um esquema de fraudes e pagamento de propinas com dinheiro desviado de obras públicas, principalmente da principal empresa estatal do País, a Petrobras,
Enquanto a maioria dos implicados vem admitindo a participação nos esquemas de corrupção, como diretores da Petrobras, doleiros e “operadores” de políticos e partidos, o trio (mesmo estando Palocci e Dirceu atrás das grades) insiste a lisura de seus rendimentos. Lula garante que a fortuna que amealhou após deixar a Presidência da República veio do pagamento de palestras que fez mundo a fora, bancadas ora pela Odebrecht, ora pela OAS (pivô das reformas do tríplex no Guarujá e do sítio em Atibaia, que o ex-presidente garante não serem seus) ou então por outra empreiteira.
Além das palestras, cujo valor supera o de várias personalidades mundiais, todas as despesas, incluindo aí viagens em jatinhos particulares e hospedagens em hotéis cinco estrelas eram pagas pelas empreiteiras. Como se pode ver, uma atividade suspeita que coloca em xeque todo o rendimento de Lula e seus familiares, que aumentaram consideravelmente o patrimônio nos últimos anos. A falta de uma explicação menos fantasiosa e mais plausível continua deixando o ex-presidente na berlinda, transformando-o em réu de pelo menos dois processos criminais até agora.
Já Antonio Palocci e José Dirceu justificam o recebimento de milhões de reais como pagamento de consultorias pelas mesmas empreiteiras que contratavam Lula, o que torna tudo nebuloso e suspeito. Assim como os “anões do orçamento”, de décadas atrás, o trio petista tenta dar legitimidade ao dinheiro sujo que os tornou milionários. Há 20 anos, no esquema conhecido como Anões do Orçamento (no qual políticos manipulavam emendas parlamentes com o objetivo de desviarem o dinheiro através de entidades sociais fantasmas ou com a ajuda de empreiteiras), o deputado João Alves disse que o seu patrimônio havia crescido porque ele tinha ganhado centenas de vezes na loteria. Assim lá como agora, tenta-se uma desculpa deslavada para dar legitimidade a um dinheiro conseguido de forma fraudulenta. João Alves perdeu o cargo e nunca mais se reelegeu. Palocci e Dirceu estão na cadeia. A lógica permite-nos considerar que Lula deve seguir o mesmo caminho.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.