Enquanto o mercado brasileiro de exportação de calçados registrou uma pequena recuperação em agosto, 0,8% em receita e 2,6% em volume, as empresas francanas tiveram uma baixa de 16,6% em receita e um acréscimo de 0,6% na quantidade de pares exportados. Os dados são da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) e, segundo a associação, no mês passado, os calçadistas embarcaram quase 10 milhões de pares, gerando US$ 87,7 milhões. Em Franca, foram 2.243.349 pares enviados para fora do país que renderam cerca de U$ 46,6 milhões.
“Esse leve aumento no volume e baixa na receita se deu em face da variação cambial, que contribuiu para a queda do custo unitário do dólar e, consequentemente, perda de valor para o setor calçadista”, afirmou o presidente do Instituto Cidade do Calçado, Giuliano Gera.
Segundo ele, os números da exportação hoje em Franca são reflexos do cenário cambial há seis meses, quando o dólar estava na casa dos R$ 4. “Isso contribuiu para uma queda na receita em dólar e, talvez, para um aumento significativo da produção em pares. Porém, se esse dólar continuar no patamar dos R$ 3,20, como está, vamos colher um reflexo negativo, novamente, nos próximos seis meses.”
A questão cambial se comporta da seguinte maneira: se um sapato custa R$ 100 e o preço do dólar está a R$ 4, os empresários conseguem oferecer seu produto a US$ 25 aos estrangeiros, um preço que dá ao produto brasileiro mais condições de competir com países como a China e a Índia, que têm um produto de preço atrativo. Se o dólar está a R$ 3, esse mesmo sapato será oferecido a US$ 33, o que diminui a competitividade do produto brasileiro.
Segundo Gera, Franca possui peculiaridades que ocasionaram a disparidade frente ao crescimento nacional. “Viemos perdendo a veia de exportação há muito tempo. Se pegarmos os dados das indústrias, vamos ver que Franca saiu de uma exportação de 13 milhões de pares para 2,7 milhões nos últimos 15 anos.”
“Antes da crise, o Brasil vinha com um crescimento acelerado, e acabamos numa zona de conforto, abastecendo o mercado interno. Com a retração dos últimos anos, tornou-se necessário buscar novos mercados se a gente quiser continuar.”
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