Há um ano e meio, a jovem de 16 anos Amiris Rodrigues descobriu no mandarim e na cultura chinesa o que ela define como paixão. A empatia foi automática, diz ela. Antes das primeiras aulas, que teve de forma gratuita por meio de uma parceria que existiu entre o Instituto Confúcio e a Escola Estadual “Torquato Caleiro”, ela nada sabia sobre a cultura, língua ou histórias da China. Hoje, é a primeira colocada da etapa nacional da Chinese Bridge (competição entre estudantes de todo o mundo sobre conhecimentos sobre a China) e se prepara para embarcar para o outro lado do globo, no próximo mês.
“Na China, vou competir com estudantes de 86 países. Se eu ficar nervosa, vou estragar tudo. Por isso, estou me controlando.”
Para garantir a passagem para a China, Amiris passou por um processo de seleção, em Niterói (RJ), que incluiu uma apresentação sobre si, em mandarim, contando de onde era, sua idade e etc. Depois, passou por uma prova escrita sobre a cultura e a história da China. Na última fase, apresentou um discurso de 3 minutos sobre o tema “Estudar mandarim e ter amigos pelo mundo” e, por fim, mostrou um talento relacionado à cultura chinesa.
“Toquei na flauta (de bambu) uma canção chamada Mò Li Huã. ‘Moli’ significa jasmim e foi o nome que um amigo chinês me deu”, contou sobre a apresentação. “Fui com um qieao (traje típico) preto de flores e minha mãe fez uma travessa de flor para mim, que combinou!”
A excelente colocação na competição veio apenas um ano e meio depois que Amiris teve seu primeiro contato com a língua, no curso que não mais existe. A parceria entre a escola e o instituto foi desfeita enquanto a jovem concluía seu primeiro semestre de estudo. O obstáculo, no entanto, não foi suficiente para pará-la. “Fui estudar sozinha, assistindo a vídeos no Youtube, por aplicativo no celular. Depois, fui para São Paulo fazer a prova nível 1 de pró-eficiência. Continuei estudando e fui para o nível 2. Foi quando surgiu a oportunidade de estudar mandarim no Instituto Confúcio da Unesp de Jaboticabal, onde estou até hoje.”
Olhando o caminho trilhado, Amiris afirma que às vezes se espanta com a rapidez com que tudo foi acontecendo. “Quando paro para pensar em tudo o que aconteceu, volto no dia em que fiz a inscrição para o curso de mandarim. Foi uma atitude que mudou minha vida. E mudou para sempre. No próximo mês, vou conhecer a China e o que eu quero é andar pelas ruas, ver as pessoas. Também vou realizar o meu sonho de conhecer A Grande Muralha da China e a Praça da Paz Celestial. Às vezes, é difícil acreditar em tudo isso.”
Apoio familiar
Um dos pontos mais destacado por Amiris como base de apoio para não desistir de seus objetivos, mesmo diante dos obstáculos, foi a família. A caçula de três irmãs e filha do cortador de frios e da cobradora de ônibus, Valdivan e Regina, afirma que seus projetos são sempre bem acolhidos em casa e respeitados.
“Minha família me deixa livre e sempre me incentiva. Minha mãe, por exemplo, está me ajudando a preparar tudo para minha viagem.”
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