Conheça o transtorno que pode afetar mulheres durante a TPM


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Algumas mulheres não sofrem apenas de TPM.
Algumas mulheres não sofrem apenas de TPM.

Cerca de dois terços das mulheres sofrem com a TPM (Tensão Pré-Menstrual), apresentando inchaço, mal-humor e falta de paciência. Porém, algumas dessas mulheres são afetadas de forma ainda mais intensa nos dias que antecedem a menstruação.

Em casos mais graves, ocorrem explosões de raiva, crises de ansiedade, sensação de tristeza profunda, insônia, fadiga, perda de apetite e desânimo para realizar atividades do cotidiano, mesmo aquelas que dão prazer, como atividade sexual. Os sintomas costumam desaparecer com o fim da menstruação, mas funcionam como se a mulher sofresse com uma depressão cíclica.

Em 2013, o TDPM (Transtorno Disfórico Pré-Menstrual) foi incluído na categoria de transtornos depressivos e de ansiedade da DSM5 - a 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais, sigla em inglês, da Associação Americana de Psiquiatria. A estimativa é que entre 2% e 10% das mulheres sofram com o transtorno.
 
Neste ano, a microempresária Cyntia Leite Martins, de 28 anos, foi diagnosticada com TDPM. "Era chegar uma semana antes da menstruação para ficar muito irritada, fora de mim. Eu agia como se alguém estivesse apertando o meu pescoço ou fazendo algo muito absurdo, mas depois que passava a menstruação em pensava 'porque eu agi dessa maneira?'", contou ela ao site Uol.
 
Cyntia ficava deprimida, estressada, chorava com facilidade e tinha pensamentos suicidas. "Eu não queria mais viver quando estava no período pré-menstrual. E esse pensamento passava depois da menstruação", descreve a microempresária.

Ao perceber que começou a ter problemas com o marido e que a filha de 4 anos não a via da mesma forma, Cyntia questionou sua ginecologista. A profissional receitou um antidepressivo, o que assustou a microempresária.
 
Helena Maria Calil, professora-titular de Psicofarmacologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), explica que o medicamento é o principal tratamento para o transtorno. "Eles ajudam a melhorar, e muito, os sintomas pré-menstruais. Em muitos casos, não há necessidade de que a mulher tome diariamente o medicamento, basta tomar depois do período da ovulação, 10 a 14 dias, ou até menos, dependendo do ciclo", revela Calil.

A médica destaca que apesar de o ginecologista poder tratar a paciente, o mais indicado é que a mulher busque uma avaliação psiquiátrica. "A mulher geralmente é acompanhada durante anos pelo mesmo ginecologista, que a conhece bem e pode avaliar se a alteração que ela relata é mesmo intensa e pode receitar o tratamento. Mas, o ideal seria que ela fosse avaliada pelo psiquiatra, para poder avaliar cuidadosamente a gravidade dos sintomas, de acordo com os critérios diagnósticos de TDPM", finaliza Calil.

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