A certeza da felicidade


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Do prazer que brota do peito, a sensação sufoca.  É inebriante. E ela caminha pela vida, cega de tanta alegria, de tantas sensações boas.

O coração bate rápido e tem momentos em que, na curva da estrada, acha que pode morrer de tanta alegria e de tantas certezas. De tantos argumentos concretizados. De tantas luvas de pelicas que explodiram na cara de alguns.
 
Ela caminha pelas ruas, dirige pela cidade, faz planos mirabolantes. 
Do nada, tem vontades repentinas de sair correndo, fazer tudo rápido para chegar lá, neste lugar da concretização da felicidade. 
 
A felicidade é fácil, é simples, ela descobriu , pensa e diz. Basta você acreditar. “É louca?”-  pensam alguns. “É  ingênua? “- Dizem outros.
 
Mas é que tem dias que a alegria da certeza do que é esta felicidade, do que é bom e fácil, parece não conter no peito. 
 
Então, ela empurra as portas de casa, joga a bolsa na poltrona e, feliz, grita em alto e bom som o caminho daquela felicidade.
 
Neste momento, com o mesmo furor da certeza, ela depara com o rancor enraizado, o ressentimento latente, o medo que vigia, a raiva que permeia e principalmente, o desejo surdo de estragar aquele otimismo todo.
 
Então, “batem” muito nela! Ela se surpreende! Pois ela sabe a fórmula da felicidade!
Eles riem, debocham! “Quem? Você? Nunca!”- dizem.
 
Então, ela reúne o que sobrou daquelas certezas vilipendiadas, daquela oferta preparada.
Ela as reúne, segura-as com cuidado como algo que quebra, pega a bolsa, vira silenciosamente e caminha para o seu quarto.
 
Lá, ela pule delicadamente aquela sua certeza, coloca-a junto àqueles seus argumentos irrefutáveis, guardando-os na gaveta do coração e protegendo-os na mente da razão.

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